Partos por cesariana chegam a 73,2% em hospitais de Prudente

Em 2019, de acordo com maternidades, 5.307 crianças nasceram na capital do oeste paulista; médico afirma que prevalência de procedimentos cirúrgicos são escolha tanto de gestantes como de médicos.

PRUDENTE - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 30/05/2020
Horário 04:00
Cedida - Devido a questões relacionadas à saúde, a pequena Aurora veio ao mundo por meio da cesárea Foto: Cedida - Devido a questões relacionadas à saúde, a pequena Aurora veio ao mundo por meio da cesárea

Em 2019, de acordo com as maternidades de Presidente Prudente, 5.307 crianças nasceram no município, das quais, 73,2% (3.884) vieram ao mundo por meio do parto cesárea, e 26,8% (1.426) por parto normal. Nota-se que nos hospitais públicos, que realizam o procedimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a realização de partos normais supera ao de cesarianas, ou ao menos, tem diferenças menos gritantes, enquanto nos hospitais particulares, há o extremo contrário, chegando a cesárea ser a escolha em 98,7% dos procedimentos (veja a tabela).

De acordo com o médico ginecologista e obstetra Edvar da Costa Galvão Filho, 57 anos, o grande número de cesárias é recorrente em todo o Brasil, não apenas em Prudente. Segundo ele, a preferência pelo procedimento cirúrgico parte tanto das pacientes, como dos médicos. “As pacientes têm uma cultura que prefere cesárea, pois sofrem menos e os médicos também querem, pois acabam planejando melhor suas tarefas diárias”, explica. De qualquer forma, Galvão ressalta que o parto normal continua sendo o mais indicado, visto que a recuperação é mais rápida e a incidência de complicações é menor.

A Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelo Hospital Estadual Doutor Odilo Antunes de Siqueira e o HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo, reafirma as falas do médico, reiterando que é política do Estado orientar pela realização do parto normal. “O SUS prevê assistência humanizada às gestantes, garantindo o Plano Individual de Parto, para que a gestante possa optar por métodos naturais e menos invasivos, que ofereçam conforto e bem-estar físico e emocional, desde que não haja risco à segurança e/ou à saúde de mãe e filho”, informa.

“A parturiente pode solicitar o parto cesáreo a partir da 39ª semana, conforme a legislação vigente, e deve ser orientada sobre os benefícios do parto normal e dos riscos relacionados a cesarianas” completa a secretaria. De acordo com a pasta, mais da metade dos partos realizados é normal, conforme balanços do cenário de todo o Estado.

MÃES RELATAM

EXPERIÊNCIAS

A mamãe Nádja Ribeiro da Silva Montanheiro teve o pequeno Antônio Donizete Montanheiro Neto de parto normal, em 3 de março de 2019.  “Em 2015, eu tive minha filha mais velha em uma cesárea, em um hospital particular de Prudente. Quando engravidei novamente, em 2018, meu plano de saúde estava na carência. Fiquei apavorada, porque queria cesárea de novo. A gente acaba influenciada a ter medo do natural”, afirma. Depois de uma conversa com sua médica obstetra, que explicou como realmente é o parto normal e como funcionava na rede pública, Nádja se tranquilizou.

“Poderia ter sido traumático se eu não tivesse aceitado essa opção e aberto minha mente para entender o nosso corpo e o processo natural. Fui muito respeitada, ninguém me tratou mal, pelo contrário, fui muito bem instruída antes, durante e depois do parto. Hoje, comparando meus dois partos, com certeza teria normal de novo”, salienta.

Já a dona de casa Stella Zanoni Simões, 24 anos, teve que se submeter à cesárea por questões de saúde. “O parto cesárea foi uma indicação médica, por conta de uma complicação no final da gestação. Eu queria o parto normal, mas no final, com 37 semanas e cinco dias de gestação, comecei a sentir muitas cólicas e fui internada”.

Desta forma, a pequena Aurora Zanoni Simões, a segunda filha de Stella, pode nascer, em 1º de fevereiro de 2020, cheia de saúde. “Eu achei que foi a escolha certa para o momento, pois não queria que minha filha entrasse em sofrimento, ou acontecesse algo de ruim a ela. Foi uma cirurgia tranquila e não me arrependi, porque quando vi que minha filha nasceu sem complicações, fiquei muito aliviada”, pontua a mamãe.

SERVIÇO

Em tempos de pandemia pelo novo coronavírus (Covid-19), o médico Edvar da Costa Galvão Filho explica que as gestantes devem permanecer em casa e sair apenas quando for de extrema necessidade, visto que possuem resistência diminuída. “Elas também tiveram casos mais graves na gripe H1N1”, lembra Galvão.

PARTOS EM PRUDENTE EM 2019

Maternidades

Partos Normais

Partos cesárias

TOTAL

Hospital Regional

647

504

1.151

Hospital Estadual

707

1.324

2.031

Hospital Iamada

56

900

956

Hospital Nossa Senhora das Graças

13

1.022

1.035

Santa Casa

0

134

134

TOTAL

1.423

3.884

5.307

Fonte: Consulta aos hospitais

Observação: O Hospital Morumbi encerrou suas atividades e o contato com este, portanto, não ocorreu

Foto: Cedida

Nádja e o marido Augusto, logo após o nascimento do filho Antônio, de parto normal

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