15 mil pessoas sem experiência conseguem vaga de emprego

Deste total, 3.815 foram contratadas pelo setor de alimentação, e 3.687 pelo comércio varejista - o que representa metade das contratações

ANDRÉ ESTEVES • 14/06/2018 04:19:00

Dados foram disponibilizados em pesquisa elaborada pela Fecomercio, em parceria com o Sincomércio. Foto: José Reis

De janeiro de 2013 a dezembro de 2017, dos 15.009 admitidos que buscavam a primeira contratação formal em 25 setores de Presidente Prudente, 3.815 foram contratados pelo setor de serviços de alimentação, alojamento e comunicação. Em seguida, aparece o comércio varejista, responsável por captar 3.687 pessoas sem experiência no mercado de trabalho. Juntos, totalizam 7.502 admitidos. Isso significa que 50% dos profissionais novatos neste período conseguiram uma vaga em estabelecimentos enquadrados nestes setores.

Os dados foram disponibilizados em uma pesquisa elaborada pela Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) do Estado de São Paulo, em parceria com o Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Presidente Prudente e Região), com base nas informações divulgadas pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Para o presidente do Sinhores (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares), Rubens Afonso, este cenário é resultado da alta rotatividade que permeia o setor, o que obriga a substituição da mão de obra de forma constante. Isso porque estes estabelecimentos, sobretudo os da alimentação, normalmente requerem a disponibilidade dos trabalhadores aos finais de semana.

Considerando que a contratação e desligamento de colaboradores demandam custos, o representante enfatiza que os empresários têm o interesse de mantê-los em seus postos de trabalho e, por esta razão, costumam oferecer atrativos para a sua permanência. Para aqueles que ficam, existe um empenho dos empreendedores em promover treinamentos que visem qualificar os funcionários no decorrer do dia a dia. “O nosso setor é exigente, principalmente com relação à alimentação, porque não dá para explicar para um cliente que um garçom ou um cozinheiro, por exemplo, é novato. É preciso que os contratantes moldem e capacitem esses trabalhadores para que eles ofereçam o melhor atendimento”, comenta.

Muito além do drive-thru

Com duas lojas em Prudente, o McDonald’s é, atualmente, uma das principais portas de entrada dos jovens para o mercado de trabalho. Para o gerente de restaurante, Lucas Paiva, 24 anos, a rede permitiu o acesso ao aprendizado profissional em um cenário em que, cada vez mais, as empresas dão menos oportunidades para os novatos. “Quando vamos preencher o currículo para uma vaga de emprego e não temos experiência para colocar, é quase certeza de que não seremos chamados”, comenta. Aos 16 anos, ele decidiu tentar uma colocação no McDonald’s e, em pouco tempo, começou a trabalhar como atendente de restaurante, que é o primeiro cargo dentro da empresa.

Não demorou muito para que a dedicação do jovem trouxesse não só a tão requisitada experiência, como a possibilidade de ser promovido. Em 2011, após passar por diferentes testes de desempenho, passou a atuar como treinador, ou seja, o responsável por qualificar novos atendentes. Naquele mesmo ano, participou da All Star, competição interna nacional realizada anualmente para premiar os melhores profissionais em cada uma das funções exercidas dentro dos restaurantes da rede, sendo ganhador na categoria Produção.

Graças ao prêmio máximo, Lucas conseguiu pagar um ano inteiro da faculdade de Administração de Empresas, completando a graduação em 2014. Atualmente, faz pós-graduação com uma bolsa de 50% concedida pela empresa e, desde a abertura da segunda loja do McDonald’s, ocupa o cargo de gerente de restaurante. Até alcançar o posto, ele passou ainda pelas funções de coordenador de equipe e gerente de plantão.

Questionado sobre suas expectativas para o futuro, Lucas conta que agora pretende fazer o melhor para a sua equipe, de modo a torná-los bons profissionais e, mais do que isso, boas pessoas. “Na minha vida pessoal, tenho condições de comprar uma roupa melhor, comprar um carro e viajar, sendo que meu próximo passo é pensar na casa própria”, pontua.

Na contrapartida, está Ana Clara Santos Barbosa, 17 anos, que entrou para a rede como menor aprendiz. Na época, ela estava receosa em fazer a entrevista em função da timidez, mas depois de tanto incentivo, tomou a coragem e passou pelo processo, que a colocou como atendente de restaurante. Com um ano e sete meses de trabalho, a jovem já está efetivada há três meses e, após completar 18 anos, sonha em ser promovida a treinadora e, no futuro, quem sabe, coordenadora. “Estou achando muito legal, porque desde pequena sempre quis ajudar os meus pais. Pretendo continuar aqui e, com meu salário, fazer a faculdade de Direito no ano que vem”, completa.

NÚMEROS

15.009

novatos foram admitidos no mercado de 2013 a 2017

3.815

pessoas foram captadas pelo setor de alimentação

3.687

foram contratados pelo comércio varejista no período

                                                Fotos: Marcio Oliveira

Lucas concluiu a faculdade graças ao trabalho em restaurante

Efetivada, Ana Clara agora quer função de treinadora

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