A ameaça da maconha

  • 22/08/2019 01:52
  • Rita de Cassia Bomfim Leitão Higa

A maconha, nome dado a uma mistura de folhas, flores, sementes, caules da planta Cannabis sativa no Brasil é a principal droga ilícita utilizada em nosso país. Segundo a Nida (National Institute on Drug Abuse), em 2015, mais de 11 milhões de jovens, entre 18 e 25 anos, fizeram uso de maconha nos Estados Unidos.

A maconha tem como principal princípio ativo o THC (delta-9-tetrahydrocannabinol), que possui ação psicotrópica, ou seja, no sistema nervoso central. A utilização se dá através do fumo em cigarros, cigarrilhas, charutos, em cachimbos, vaporizadores ou misturados com outras drogas. Alguns vaporizadores utilizam o extrato líquido da maconha. As pessoas também usam a erva a partir da ingestão de bolos, doces ou chá.

Os extratos podem ofertar uma grande quantidade de THC ao corpo, sendo notificada a necessidade de atendimentos nas emergências de hospitais americanos. Com a sofisticação do cultivo, através das técnicas hidropônicas, houve um aumento na potência dos derivados constitutivos da planta.

Através do fumo, o THC passa rapidamente dos pulmões à corrente sanguínea alcançando o cérebro e outros órgãos do corpo. Quando ingerido, o processo é mais lento, podendo demorar de 30 minutos a 1 hora.

A utilização da maconha por adolescentes afeta o desenvolvimento do cérebro. A droga pode danificar a capacidade de pensar, memória, as funções para aprendizado e afetar a capacidade cerebral de realizar conexões entre as áreas necessárias para esta função, sendo que algumas modificações podem se tornar permanentes.

Um grande espectro de efeitos físicos e mentais é atribuído à maconha. Decorrente do uso, pode ocorrer problemas respiratórios, aumento dos batimentos cardíacos, até acima de 3 horas pós-uso, sendo que este efeito pode aumentar o risco de ataque cardíaco. As pessoas com doenças cardíacas podem estar expostas a um maior risco.

O longo uso pode determinar em algumas pessoas efeitos mentais como: paranoia e alucinação temporárias, piora de quadros de esquizofrenia, ansiedade, depressão e até pensamentos suicidas entre jovens.

No livro “A tragédia da maconha: Causas, consequências e prevenção“, lançado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), foram reunidas evidências científicas do risco de consumo da droga. Diante dos estudos, a academia, representada pelo Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria, em 14 de junho deste ano, publicou uma nota em que se posiciona contra a regulamentação do plantio de Cannabis no Brasil, devido a proposta apresentada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e prevendo a liberação para fins medicinais, produção de medicamentos e pesquisa científica.

Infelizmente se percebe uma propaganda e uma camuflagem da maconha, revestida de “erva natural”. Será que podemos permitir que nossas crianças e jovens sejam expostos aos riscos do uso da maconha? Os cientistas advertem para os males da maconha e o comprometimento do desenvolvimento de nossa juventude. Ficam as questões: Como acolher o uso de droga tão potencialmente danosa? Qual é a juventude que desejamos?

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Rita de Cassia Bomfim Leitão Higa

Rita de Cassia Bomfim Leitão Higa

Rita de Cassia Bomfim Leitão Higa é professora de Medicina Legal e Perícias Médicas, Ética e Toxicologia da Faculdade de Medicina da Unoeste, campus de Presidente Prudente

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