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Assentados trazem produtos livres de agrotóxicos para PP

Feira, realizada na manhã de ontem nos arredores do Galpão da Lua, tem como objetivo divulgar os trabalhos realizados pelos produtores rurais da região do Pontal do Paranapanema

ROBERTO KAWASAKI - Da Redação • 11/02/2018 01:53:08

. Foto: José Reis, Produtos agroecológicos: frutos da reforma agrária e da produção familiar de assentamentos

Uma feira não convencional ocorreu ontem, nos arredores do Galpão da Lua, em Presidente Prudente. Logo pela manhã era possível sentir o frescor dos produtos agroecológicos que são frutos da reforma agrária e da produção familiar. Pela segunda vez na cidade, os assentados da região do Pontal do Paranapanema vieram beneficiar os prudentinos com produtos livres de agrotóxicos.

De acordo com Cledson Mendes da Silva, coordenador do setor de produção do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) a luta pela terra no Pontal do Paranapanema começou em 1990 e todos os assentamentos da região foram frutos da resistência dos integrantes do grupo. Ele acredita que “a conquista agora é trabalhar para conseguir alimentos saudáveis, sem adubo químico e sem veneno”.

Além da feira, Cledson comenta que realizam o Projeto da Cesta, uma maneira encontrada para vender os produtos produzidos pelos assentados. Organizado em um grupo de Whatsapp, professores de uma universidade fazem os pedidos e a cada 15 dias, eles são entregues no local de trabalho. “Precisamos fazer nosso trabalho ser reconhecido. Espero que ele cresça e que a população ajude a divulgar nosso trabalho”, afirma.

 

Dificuldade de vendas

A produtora rural Shirlei Aparecida da Silva, 54 anos, é mãe de três filhos e há quase 20 anos participa do grupo MST. Em 2004, adquiriu terras para morar e, desde então, dedicou-se ao trabalho agrícola. Ela diz que participou de cursos profissionalizantes antes de iniciar o trabalho e lamenta enfrentar dificuldades para vender produtos como abóbora fatiada, biscoitos, pães e derivados do leite. “Muita gente não conhece o meu trabalho. Produzo muito e vendo pouco”, declara.

Para o engenheiro Juan Carlos Costa, 52 anos, “as pessoas precisam reconhecer o trabalho realizado pelos assentados, é algo que chama muito a minha atenção”. Ele afirma ter participado de outra feira do mesmo cunho na cidade de São Paulo e acredita que “é possível provar que comunidades autônomas podem produzir e tornar-se independentes de empresas”.

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