Canabidiol reduz crises de convulsão da pequena Julia

PRUDENTE - WEVERSON NASCIMENTO

Data 10/01/2020
Horário 09:06
Jean Ramalho - Julia utiliza canabidiol, à base da cannabis, desde 2014, e a mãe comemora: suas convulsões quase zeraram Foto: Jean Ramalho - Julia utiliza canabidiol, à base da cannabis, desde 2014, e a mãe comemora: suas convulsões quase zeraram

As formas de uso da cannabis para fins medicinais ainda são assuntos polêmicos no Brasil, mas, em muitos casos, como o relatado por esta reportagem, trazem esperança e vida. Como é o caso da pequena Julia Yumi Aguiar Sato. A mãe dela, Alessandra Aguiar Sato, conta que teve uma gestação tranquila e parto normal em 2009, contudo, aos três meses de vida, a filha teve uma convulsão e, sem muito conhecimento do caso, a família procurou ajuda médica a qual constatou, através de ressonância magnética, uma má formação cerebral, quadro de lisencefalia.

Após descobrir o caso da criança, a família iniciou os tratamentos, mas as convulsões persistiram. Aos dois anos e meio, a pequena passou por uma internação, após entrar em estado grave diante de inúmeras convulsões, e chegou até a ser induzida ao coma para ver se reduziam as consequências do quadro, porém, sem sucesso, segundo a mãe. “A Julia voltou, piorou e teve que usar respirador mecânico. E com essa idade já não sabíamos mais quantos remédios tínhamos que dar para ela, porque não parava. Foi quando vimos uma entrevista na TV falando do canabidiol, à base da cannabis. Depois disso, procuramos mais informações. Na época, ela não estava bem e tudo que fosse bom, iríamos experimentar”.

Em 2014, segundo a mãe, a família conseguiu, após muito custo, por não ser liberado no Brasil, a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), através de prescrição médica, para o uso do produto. Época também que os familiares ingressaram na Justiça para conseguir o produto junto ao governo. “Ela começou a fazer o tratamento com o remédio e melhorou muito. Só que, quando parou, porque não tínhamos mais dinheiro, ela voltou a convulsionar. Para se ter uma ideia, realizamos um gráfico da quantidade de convulsões e constatamos que ela chegou a ter 49 em apenas um dia, e não aguentávamos mais ver aquilo e não poder fazer nada”. Com o fornecimento do produto pelo governo, o quadro de Julia melhorou 95%. “As convulsões quase zeraram com o uso do canabidiol”, relata a mãe.

De acordo com Alessandra, o produto é de extrema importância para a vida de Julia. “Eu posso dizer que é a vida dela, porque ninguém consegue sobreviver convulsionando 50 vezes por dia. Então, eu agradeço a Deus por alguém ter feito esse remédio, e ter passado para tantas pessoas. Eu tenho certeza que faz a diferença não só para minha filha, mas para muitas crianças e adultos que precisam dele”.   

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