De fato, são tempos difíceis para sonhadores

EDITORIAL - DA REDAÇÃO

Data 28/03/2020
Horário 04:39

Acordar cedo, cumprimentar vizinhos a caminho da padaria, ir para o trabalho, fazer uma caminhada no final do dia, sair com a família para jantar fora ou tomar um sorvete... Essas atitudes do dia a dia nunca foram tão valorizadas quanto nas atuais circunstâncias. Por conta da pandemia de casos do novo coronavírus, o Covid-19, houve a necessidade de se adotar uma oportuna quarentena, com o objetivo de minimizar o avanço da doença no território brasileiro, o que exigiu dos cidadãos abrir mão dessas atividades cotidianas em prol da sua própria saúde.

Que esse período dentro dos nossos lares – para aqueles que podem realizar o isolamento social – seja também um período de reflexão sobre a importância da nossa liberdade, do simples fato de podermos acordar todos os dias e viver a vida lá fora. Sair para tomar um café com os amigos ou pegar um cinema parece algo tão ordinário, comum, mas que ganha ares de luxo em tempos de crise mundial. Quando superado esse contexto, que tenhamos a compreensão de que viver sem amarras é, sim, um luxo dado a nós: um presente valioso e que precisa ser usufruído continuamente, rotineiramente.

Que os tempos de pandemia também nos ensinem que a nossa saúde é um privilégio e que, independente das circunstâncias, é necessário que tenhamos um olhar atento para ela. Não devemos ignorar hábitos simples de higiene, que não só garantem a nossa proteção, como também a de todas as pessoas que amamos e queremos o bem. E tão importante quanto a empatia e a solidariedade exercitadas em tempos sombrios como estes são a empatia e a solidariedade praticadas em todos os tempos. Que não precisemos esperar uma adversidade chegar para encontrar em nós mesmos o espírito fraterno e humanitário que habita em todos nós.

Parafraseando neste espaço a célebre frase do filme francês “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, “são tempos difíceis para sonhadores”. Sim, de fato, são tempos difíceis. Mas até mesmo os tempos difíceis deixam aprendizados. E que estes ensinamentos não sejam jamais esquecidos e que sirvam para nos tornar seres humanos melhores, mais admirados com o mundo, mais agradecidos pela vida, mais atentos às coisas simples do dia a dia, mais empáticos... bem, mais humanos.

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