cotidiano

Democracia

  • 04/06/2019 06:00
  • Arlette Piai

No livro 1984 de George Orwell, é retratado um futuro distópico em que um Estado totalitário que controla e manipula toda forma de registro histórico e contemporâneo, a fim de moldar a opinião pública a favor dos governantes. Nesse sentido, um funcionário do sistema chamado “Ministério da Verdade” diariamente analisa e altera notícias e conteúdos midiáticos para favorecer a imagem do partido e manipular a população.

Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Orwell pode ser relacionada ao mundo cibernético do século 21. De acordo com o filósofo Bauman, vive-se atualmente um período de liberdade ilusória, já que o mundo globalizado que abriu novas formas de interações, também abriu portas para a manipulação e alienação do povo. Assim, o sistema expresso pelos pensadores da Escola de Frankfurt: produzir conteúdos do “gosto do público”, para direcioná-lo. Alguns traços característicos da sociedade distópica são: poder político totalitário mantido por uma minoria perigosa. Caso essa minoria detentora do poder seja idolatrada pelo povo e por isso conquiste o poder da censura - o risco da nação não é mais risco – a ditadura está consumada.

A democracia é um bem frágil que pode fenecer mesmo porque sua asfixia não ocorre de repente, mas vai sendo desgastada aos poucos. Começa com demissões aqui, direitos cassados ali, desacato e desrespeito aos jornalistas, crítica contra a imprensa e assim vai desgastando em doses homeopáticas até que seja finalmente asfixiada.

A Constituição Federativa proíbe a censura em seu artigo 220 e em diversos incisos, mas mesmo assim nunca se tem sua garantia. É preciso que se esteja sempre alerta porque o perigo ronda, afinal embora a democracia esteja longe de ser um sistema ideal, é ainda a melhor forma de governo desde a aurora dos tempos.

Geralmente, o governo ditatorial ocorre quando o povo está cansado, fato que pode levá-lo à perigosa troca da democracia por ditador populista. No Brasil de 1930 a 1980 a economia cresceu bem, em algumas fases com vigor. Nesse período poderia ter construído um mercado respeitável, aplicado em infraestrutura, transportes etc, mas não ocorreu. Razão? Segundo grandes economistas, o responsável maior foi “o modelo de crescimento concentrado no Estado”, trampolim para a obscena consolidação da casta política. Entre tantos países que quebraram a oligarquia similar ao Brasil, pode-se citar o Japão que desarmou a corporação dos samurais, abriu rapidamente o país para o exterior e sabiamente desenvolveu um sistema de educacional de altíssima qualidade. 

Talvez a saída para evitar riscos e conquistar um governo que governe, seria cortar a cabeça do poder do Estado com privatizações das estatais para matar sua “galinha de ovos de ouro” cúpula. Cabe ao Estado cumprir a obrigação que lhe compete que é cuidar muito bem da trilogia: saúde, educação e segurança. Não é dever de Estado democrático cuidar de empresas porque estas constituem fonte de roubo e de degradação. Talvez também questionar se o Parlamentarismo seria ou não o melhor para o bem comum que o Presidencialimo. O povo tem “a faca e o queijo nas mãos”, porque o povo tem o verdadeiro poder para fazer mudar. Outra opção deejável é exigir o recall que significa cassar o mandato de qualquer representante político, pelos próprios eleitores, seja por corrupção, incompetência ou inoperância. Afinal se não é o povo, quem vai consertar sua própria nação?

 

 

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Arlette Piai

Arlette Piai é professora e escritora.

Contato: lingua.brasileira@terra.com.br

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