COTIDIANO

Ferrovia, caminho para o Brasil

  • 22/05/2019 04:05
  • José Vitor Mamede

Há um ano, uma greve promovida por caminhoneiros paralisou o país. Ainda está viva na memória dos cidadãos as consequências da paralisação, como desabastecimento de comida, gás e combustíveis, e prejuízos incalculáveis à economia. A greve demonstrou a enorme dependência rodoviária do Brasil em relação ao transporte de cargas. Atualmente, as rodovias respondem por 65% do escoamento da produção do país, enquanto o transporte ferroviário representa 15%. O transporte de cargas sobre trilhos é mais vantajoso sobre diferentes aspectos: é menos poluente, mais seguro e econômico em relação à utilização de caminhões em rodovias.

Por esses motivos é oportuno o debate sobre a implantação de um Centro Logístico para redistribuição de cargas em Campo Grande, em Santo André, às margens da Ferrovia Santos-Jundiaí. Trata-se de um projeto voltado para a ampliação do transporte ferroviário, estando em conformidade com a política de transporte de cargas do governo federal e o do Estado de São Paulo.

O pátio ferroviário e a ferrovia que percorre a região estão atualmente subutilizados. O centro priorizará o transporte ferroviário, contribuindo para reduzir os gargalos da logística de transporte de cargas estadual e nacional. Na prática, funcionará como um bolsão de espera, fornecendo suporte para cargas que saem e chegam ao Porto de Santos. A expectativa é gerar novos 1,2 mil empregos diretos e receita extra a Santo André, que deverá receber R$ 30 milhões de ISS (Imposto Sobre Serviços) durante a construção do empreendimento e mais R$ 35 milhões durante a fase de operação.  Sem falar na redução da emissão de poluentes, com menos caminhões circulando nas rodovias.

O centro foi desenhado para respeitar as características ambientais da região. A área máxima construída ocupará apenas 6,7% do total, e 80% da vegetação será preservada e monitorada. Será criada uma área de reserva florestal (um parque) de 369 hectares, e outros 109 hectares externos a ela também serão preservados. Haverá a implantação de programas ambientais durante a execução do projeto, de caráter preventivo, de controle ou compensatório.

Trata-se, portanto, de uma iniciativa que alia empreendedorismo, sustentabilidade, desenvolvimento e respeito ao meio ambiente, atendendo à necessidade nacional, contribuindo para o desenvolvimento econômico sustentável, e que será implementada em conformidade com a legislação vigente e mediante todas as fases de aprovação por parte dos órgãos públicos.

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José Vitor Mamede

José Vitor Mamede

José Vitor Mamede é diretor-adjunto de Infraestrutura do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e conselheiro da Abralog (Associação Brasileira de Logística)

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