Lei municipal

Procura de doadores de sangue por fila preferencial é baixa

SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial • 12/01/2019 08:43:00

Foto: Marcio Oliveira - Lei obriga que locais comerciais mantenham benefício destinado a doadores de sangue sinalizado

Doar sangue é um ato singelo de solidariedade e em Presidente Prudente isso dá a chance de obter atendimento preferencial em estabelecimentos como bancos e supermercados. Isso porque existe, desde 2009, a Lei Municipal 6.954, a qual estabelece que doadores podem desfrutar do benefício. Criada pelo atual vice-prefeito – na época vereador - Douglas Kato Pauluzi (PTB), a norma determina que os estabelecimentos devem estar com caixas devidamente sinalizados e atender aqueles que realizarem ao menos uma doação em um período válido de seis meses, sendo que a mesma deve ser comprovada por meio de protocolo na carteira de doador emitido pelo banco de sangue coletor.

Embora esteja completando 10 anos de implantação, a procura por essa possibilidade não é comum nos supermercados, ao menos não no Nagai, conforme afirma o gerente Júlio Cesar Peres. Apesar de disponibilizar um caixa com uma placa avisando sobre o possível uso para tais fins, ele relata que existe baixo conhecimento, às vezes, por parte do próprio doador. “Geralmente, quem doa sangue são pessoas mais novas e isso também gera certa reclamação por parte de idosos na fila, não entendem o motivo do atendimento preferencial”, ressalta.

O prudentino Edson Marques, 56 anos, é um dos que não concordam com a norma. “Pelo jeito que as coisas anda, daqui algum tempo só existirão benefícios e as pessoas que neles não se encaixarem  serão excluídas”. “Por exemplo, você chega em um mercado, tem muito mais vagas para idosos do que para outros, ser doador de sangue é uma obrigação, não deve haver privilégios para isso”, considera.

Enéias da Silva Rocha, por sua vez, pensa diferente. O gerente do Avenida acredita que a lei é merecida, já que doadores de sangue são pessoas “diferenciadas, com um viés mas próximo com a solidariedade”. No entanto, afirma que a busca por esse benefício é quase nula no estabelecimento. “Temos o informativo, mas vemos que as pessoas não se atentam muito a isso, talvez falte divulgação”, comenta.

Roana Rafaela dos Santos, 29 anos, por exemplo, diz que “nunca ouviu falar da lei” e, mesmo que não seja doadora, concorda que deve existir um reconhecimento aos solidários. “Doar é uma atitude legal, então, poder desfrutar disso é justo”, comenta.

O gerente do Estrela do Jardim Bongiovani, Iremar Cordeiro, compartilha do mesmo pensamento. Ele conta que o supermercado trabalha com atendimento preferencial para pessoas com deficiência, gestantes, idosos e também para doadores em todos os setores do local. “Serve como um incentivo, faz com que as pessoas tomem mais a iniciativa de se tornarem doadoras”, expõe.

Assim como Tércio Evangelista, que tem 47 anos e “considera a doação como parte da vida”. Porém, em sua opinião, embora sirva como incentivo, não deveria existir benefícios. “É algo que todo mundo tem que fazer de coração, não porque irá ganhar algo em troca, se todos fizessem isso, o mudo seria bem melhor”, frisa.

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