Cedida/Expertise - Roberta: “O importante é entender a identidade do outro”

Foto: Cedida/Expertise - Roberta: “O importante é entender a identidade do outro”

SEJA VOCÊ MESMO!

Respeito à identidade alheia é orientação a RH

Consultora explica que é importante entender a personalidade aplicada no contexto empresarial; empresas garantem flexibilidade de roupas e estilos

  • 22/05/2019 08:30
  • WEVERSON NASCIMENTO - Da Redação

Com o passar dos anos, algumas empresas aboliram códigos de roupas e estilos, o que faz com que os profissionais colaboradores se sintam à vontade quando o assunto se trata de sua personalidade. A campanha “Seja você mesmo” virou regra nesses ambientes de trabalho. De acordo com consultora de recursos humanos e sócia-fundadora da Expertise, Roberta Cavalcante Gomes, 41 anos, o mais importante é entender a identidade do outro aplicada dentro do contexto empresarial, e não fazer com que o indivíduo seja uma pessoa que ele não é. “Tudo que foca na diversidade e que traz a questão do respeito quanto à identidade do outro, é a nova ideia de recursos humanos” explica.

Em Presidente Prudente, segundo a consultora, a ideia está “vindo com muita força” porque os empresários estão começando a compreender que não é somente a empresa que marca, mas que os colaboradores de certa forma também transformam o negócio. De acordo com ela, no passado quando se falava em cabelos coloridos, tatuagens ou piercings, não existiam muitas possibilidades de contratações e que hoje, esses estilos trazem consigo uma informação de identidade e que mesmo as organizações mais tradicionais estão buscando a diversidade para somarem a seus talentos. “Elas procuram trazer pessoas de diversas naturezas para conversar com diversos públicos. Porque, se existir somente pessoas de um ‘jeito’, fica difícil você prestar serviços de uma maneira integral no mercado atual”, declara.

Esses talentos que expressam personalidade têm muito a ver com a natureza da atividade, explica Roberta. Então, agências de publicidade, empresas que trabalham com internet ou via web em que o cliente não vai até a pessoa, o colaborador tem uma “folga” em relação aos códigos tradicionais. “Às empresas que precisam de um dinamismo maior ou uma criatividade aplicada, não cobram que venham todos da mesma maneira. Elas deixam com que os profissionais usem a sua própria identidade para representarem, de alguma forma, a comunicação e expressão no exercício de suas funções”.

Porém, a consultora de recursos humanos orienta que, por mais que exista a flexibilidade, é necessário ficar atento à imagem, já que ela comunica muitas coisas. Por esta razão, é necessário compreender a missão, visão e valores da organização.

Diante desses estilos alternativos, empresas dos mais diversos ramos têm adotado um código de vestimenta mais flexível, também chamado de “dress code”. De acordo com a gerente de talentos Janaina Peroto, 33 anos, a empresa em que trabalha sempre teve a flexibilidade quanto a roupas e estilos, a única diferença é que, com o crescimento, acabou fortalecendo ainda mais a ideia. “Hoje percebemos que, ao receber pessoas de empresas mais tradicionais, acaba sendo um choque cultural - é possível ver o quanto eles valorizam esta prática adotada aqui. Para quem é recebido, é um impacto muito positivo, pois fortalecemos que cada um tem sua liberdade de escolha em relação ao seu estilo”.

 

DO MEU JEITO!

Profissionais expressam estilos no mercado

A “geração Y”, também chamada de geração do milênio ou da internet é a mais adepta aos novos estilos. Se antes a “geração X” ou “baby boomers”, a qual se encaixa os pais, eram centrados em um “dress code” regrados de uma imagem corporativa associada a peças de alfaiataria, hoje em dia eles ditam estilos no mercado de trabalho.

A jornalista Taíne Paco Correa, 24 anos, relata que onde trabalha não tem qualquer restrição à cor de cabelo ou estilo de roupas. A jovem decidiu mudar seu estilo em 2017 cortando 18 cm do cabelo e mudando de cor. Começou com roxo claro, depois azul e por fim vermelho. No começo deste ano decidiu aderir à cor rosa. “No começo estranhei porque acabou ficando muito rosa, mas depois acostumei. Eu acho que combina com a minha personalidade. Até a minha mãe disse que ficou a minha cara”, explica.

Quanto ao ambiente de trabalho, a jornalista declara que não teve qualquer problema com relação à cor do cabelo e que se sente totalmente livre para exercer a sua personalidade. Atualmente, relata chamar atenção de muitas pessoas que solicitam dicas de tonalizantes e cabeleireiro, porque também desejam fazer o procedimento, não tão comum a todos. “É uma mudança bem radical e demora a acostumar, mas a maioria gosta, acha bonito e quer ter”.

A nutricionista do Sest-Senat (Serviço Social do Transporte/Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), Camila Bonillo, 26 anos, relata que nunca teve problemas com suas tatuagens no trabalho atual. Para ela, o significado é maior do que qualquer situação. “Uma delas é o símbolo do infinito com o nome dos meus pais, que para mim significa tudo. A outra é um escrito em inglês - follow your dreams/Siga seus sonhos - que é para que eu não esqueça que tenho sonhos e sempre preciso buscar meios para alcançá-los”.

Mas nem sempre essa aceitação é vista com “bons olhos”. O gastrônomo Murillo Mora Vieira, 25 anos, que atualmente mora em São Paulo, relata que, além da crise que afetou boa parte do mercado de trabalho, convivia com o preconceito por conta das tatuagens e o estilo alternativo. Segundo Murillo, por mais que Presidente Prudente seja uma cidade de interior, embora relativamente grande, ainda há muito preconceito. “Esse inclusive foi um dos motivos de eu ter me mudado pra São Paulo, onde é uma cidade com um "mundo" dentro dela, onde há diferentes culturas, estilos, religiões, credos, e embora aqui seja mais tranquilo em relação ao respeito de identidade, o preconceito ainda existe”.

Foto: Cedida/Taíne Correa

Taíne: “É uma mudança radical, a maioria gosta e quer ter”

 

Foto: Cedida/Murillo Vieira

Murillo convive com o preconceito por conta das tatuagens