RUMO AO HEXA

Ruas de Prudente ganham as cores da seleção antes da Copa

Um dos costumes mais tradicionais durante a Copa do Mundo está em andamento no Ana Jacinta

JULHIA MARQUETI - Especial para O Imparcial • 13/06/2018 05:10:00

Rua do Ana Jacinta se encontra quase pronta para a Copa do Mundo. Foto: Marcio Oliveira

Há quem diga que o trabalho começou tarde neste ano. Por outro lado, alguns afirmam que a melhor época é agora, dias antes do início da Copa do Mundo 2018, quando os ânimos estão           flor da pele. Independente da demora ou espera pelo melhor momento, um dos costumes mais tradicionais que antecedem o Mundial é a decoração das ruas. Em Presidente Prudente, os enfeites ainda estão tímidos, mas, entre milhares ruas da cidade, pelo menos uma está quase pronta para a data.

Localizada no Conjunto Habitacional Ana Jacinta, a Rua Seisho Gakiya já ganhou as cores da seleção de Tite. Ao olhar pra cima, o céu parece ser verde e amarelo, com fitas finas penduradas entre os postes e grades das sacadas. Já no asfalto, existe uma bandeira do Brasil que está para ser finalizada bem ao centro, seguida pela frase “Rumo ao Hexa” e uma representação do grito que os torcedores mais querem soltar durante a Copa, o “gol”.

Como toda tradição, não é a primeira vez que ocorre essa organização, já que tudo se iniciou em 2002. O responsável pelos primeiros pontapés, há 15 anos, é Francisco Carneiro Mesquita, o Carioca. Vindo do Rio de Janeiro, a cidade em que foi criado não estimulou apenas o apelido pelo qual é conhecido atualmente, mas também a vontade em decorar as ruas para a Copa, já que lá o hábito é visto por toda a cidade. “Aqui em Prudente o primeiro pessoal a fazer esse tipo de coisa fomos nós. Eu morava no Rio e lá todos os bairros têm decoração de Copa, e aqui nada. Aí eu falei pra gente organizar e então começamos há quatro Copas”, explica Carioca. A vontade dele está longe de pintar apenas um quarteirão, se pudesse, a cidade toda já estaria no clima dos jogos. “Nesta época, lá [no Rio] todo bairro tem decoração, minha vontade é decorar a cidade inteira”, confirma.

Apaixonado por futebol, o objetivo de dar cor ao bairro não é apenas instigar os torcedores para o Mundial, mas sim, reunir o pessoal que apoia este tipo de ação. “Confraternizar! É de futebol que a gente sempre gostou, está na alma e a seleção é tudo, é o mais importante. É gratificante a brincadeira, passam pessoas que apoiam e nunca tem ‘estressadinhos’, sempre tem aqueles que apoiam e gostam do que fazemos”, destaca.

Nem tudo está pronto ainda, o que ocorre por conta da movimentação que existe na rua. Segundo Carioca, tudo deve estar pronto até o dia que a seleção brasileira estreia na competição, no domingo. “Estamos aqui desde o dia 20 [de maio], mas por conta dos horários ainda não finalizamos. Até a primeira partida deve estar no jeito”, ressalta. Para que tudo aconteça da melhor maneira, o organizador disso tudo explica que nada depende só dele e que o comércio local tem um peso forte para que tudo seja feito. “O pessoal do comércio apoia, muita gente da força pra nós e a festa da Copa eu amo, adoro, fico feliz quando tem, amo o futebol em si. A gente pega uma doação do pessoal, vão dando aos poucos e a gente também compra o que falta e vai dando vida”, enfatiza.

Participantes

Entre tantos participantes que colaboram com a decoração, estão Marcos Vinicius e Aparecido da Silva Correa. Marcos tem um salão no bairro desde 1994, já Aparecido não é diferente, trabalha há 20 anos no local. Ambos contam que neste ano a animação está um pouco abaixo, mas que mesmo assim não falta ajuda. “Sempre o pessoal do comércio se ajunta, por mais que na tenha trazido bastante decepção para o povo brasileiro”, conta Marcos, quando Aparecido completa dizendo que o erro da seleção na temporada passada foi jogar apenas por um. “Estão desanimados pelo clima do país que estamos vivendo, pelos 7 a 1 contra a Alemanha, que foi uma grande vergonha. Quando a seleção jogou pra um só, e um time não adianta jogar por um só”, comenta.

Para ambos, no decorrer da competição o ânimo deve voltar e isso deve refletir também no bairro, que já foi mais animado durante as partidas. “Era uma barulheira antes, na última [Copa] já foi mais contida, nesta parece que vai ser assim. Porém, esperamos que o time tire esta desconfiança”, espera Marcos. Para ele, os resultados que estão na rua este mês é um restinho de fé que ainda existe. “Juntaram aquele pouquinho que sobrou e decidiram fazer”, cita.

Expectativa

Sobre o evento, que começa na Rússia amanhã, Aparecido não concorda quando chamam o Mundial de “pão e circo”, já que, para ele, o povo brasileiro merece uma felicidade, nem que seja no esporte. “Temos que recuperar um pouco da nossa dignidade pelo menos no futebol e esquecer um pouco dos problemas. Não devemos fechar os olhos para os problemas da nação, porque muitas vezes tem Copa e a nação esquece que temos o que resolver, não é isso, mas temos que nos permitir a diversão”, considera.

Corintiano roxo, ele espera que o técnico Tite faça milagre na seleção, como fez no Corinthians em 2012. “Eu creio que ele vai fazer um grande trabalho na seleção. Se não formos campeões, creio numa boa campanha para tentar animar o povo um pouco. Se perdermos vai ser na luta”, vislumbra o torcedor.

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