08 de janeiro de 2017 às 08h58 - Esporte
Imprimir
RSS

Emanuel e Leila dão início ao Sesc Verão 2017

por THIAGO MORELLO-Da Reportagem

EXPERIÊNCIA Medalhistas pela seleção brasileira, os dois participaram de um bate-papo que marcou a abertura da programação do evento

O Sesc Verão 2017 está oficialmente aberto, em Presidente Prudente. E para dar início à programação que se alonga até o mês de fevereiro, a abertura do evento ficou por conta dos ex-jogadores de vôlei das seleções brasileira masculina e feminina, Emanuel Rego e Leila Barros, medalhistas olímpicos. Caracterizados como o casal mais premiado da modalidade, os dois estiveram, na manhã de ontem, promovendo um bate-papo na quadra de areia do Sesc Thermas, para falar das experiências que o esporte trouxe e repassando as técnicas do vôlei.

Juntos há 13 anos, casal sempre participa de eventos esportivos

“Mostrar que não existe glamour na vida do atleta”, essa é a principal missão da ex-jogadora da seleção brasileira para o evento. De acordo com Leila, a conversa com quem prestigia o esporte é essencial para humanizar o atleta. “O contato com o público faz parte da desconstrução de um paradigma, pois parece que existe um degrau gigante entre o atleta que as pessoas acompanham na TV e como ele realmente é. É legal conhecer o dia a dia para que entendam não só as conquistas, as coisas, mas também as dificuldades que passamos”, afirma.

Para Emanuel, mostrar a verdadeira rotina de um atleta, através de eventos como esse, é a última fase de vivência do esporte. “A primeira de todas é você aprender a modalidade, a segunda é se dedicar para ser bom e a terceira é repassar a experiência adquirida. Por fim, mas não menos importante, o estágio final é fazer com que essa bagagem adquirida, ao ser repassada, possa trazer melhorias na vida de futuros atletas, o que acontece por meio desta conversa clara com as pessoas, mostrando que a vida de um jogador de vôlei não é apenas feita de vitórias, mas também de dificuldades. E é importante entender que, a partir desses obstáculos é que acontece a evolução”, ressalta.

Um crescimento que ocorre por etapa. Ainda de acordo com Emanuel, a visão que as pessoas têm de um atleta é apenas aquela que aparece na televisão. “Para as pessoas que vão me ouvir, tento repassar a realização pessoal de um atleta, a evolução natural. Quem assiste ou lê sobre as conquistas, às vezes não percebe que para chegar até ali, o atleta teve que se destacar na sua cidade, região, Estado e país. Para uma olimpíada, por exemplo, não é só aquele momento. São quatro anos de preparo”, diz.

E ao longo da busca de uma carreira perfeita, as vitórias vão além das quadras. Quem participou da abertura do evento, pode conferir o discurso exemplar de Leila. Filha de um mecânico e uma doméstica, a ex-jogadora garante que o esporte foi uma válvula de escape em sua vida. “Eu aprendi a ser resiliente. Saber que tudo tem seu tempo e respeitar isso. O que eu tiro do vôlei é a transformação de vida”, conta.

 

Não pode parar

Quem pensa que ser ex-jogador é sinal de descanso está muito enganado. Conforme Leila, a relação direta com o esporte nunca parou. “Hoje eu sou secretária de esportes e turismo. Por mais que seja como gestora, a minha ligação com o meio desportivo não foi interrompida. A prática em si é mais complicada por conta da correria. Mas eu escolhi ser atleta e não pretendo deixar de ser”, salienta.

Não muito diferente da esposa, Emanuel, que começou no esporte com 11 anos, e se aposentou em março de 2016, afirma que a palavra aposentadoria é muito pesada e não passa de um título. “Minha missão agora é representar os desportistas, através da presidência da Confederação Brasileira de Vôlei. Além disso, sou atleta. Eu ainda estou em jogo. A vida me mostrou que a melhor forma de se viver é sendo atleta”, fala.

Casados há quase 13 anos, após se conhecerem através da profissão, eles garantem que sempre participam de eventos esportivos, como o Sesc Verão.

 

Cenário atual

“Qualidade técnica o Brasil tem”. Esse é o depoimento de quem esteve presente na conquista da primeira medalha olímpica do país na modalidade. Na opinião de Leila, o Brasil tem o melhor voleibol do mundo. “Da minha geração para cá, pudemos ver uma mescla de força e técnica, o que é um grande diferencial dentro das quadras”, garante.

Tal mérito é um reflexo da organização e resultados dos últimos dez anos, segundo Emanuel. Para ele, o vôlei é uma das modalidades que mais tem estrutura e, apesar do futebol, é muito mais a cara do Brasil. “Os últimos anos mostraram que a gente tem tudo para ser um país do vôlei, e não do futebol. Mas, infelizmente, o futebol é unânime. É uma paixão”, finaliza.