05 de janeiro de 2017 às 07h35 - Cultura
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Festa de Santo Reis relembra peregrinação dos três magos, Melchior, Gaspar e Baltazar

por OSLAINE SILVA-Da Redação

Tradição religiosa e folclórica fala da caminhada dos homens que foram ao encontro do menino Jesus; eles fizeram uma longa viagem presentearem o recém-nascido, o filho de Deus

No dia 25 de dezembro, tradicionalmente, grupos católicos começam uma caminhada com uma série de visitas às casas das pessoas de diversas cidades, onde são recebidos pelos moradores que pedem bênçãos e agradecem graças recebidas ao Salvador. Ao menino Jesus. E em 6 de janeiro, celebra-se em muitos países a epifania, palavra esta que significa “manifestação”. Data em que os católicos também chamam de Festa de Santo Reis ou Folia de Reis, relembrando os três reis magos, Melchior, rei da Pérsia; Gaspar, da Índia; e Baltazar, da Arábia. Segundo relatos, estes três homens fizeram uma longa viagem para presentearem o recém-nascido, menino Jesus. Então, seguindo o costume, neste dia, grupos de foliões, como alguns da região, que se revezam em cantoria com acompanhamento de instrumentos (surdo, flauta, pandeiro, violão, sanfona) encerram a tradicional caminhada com grande festa.

Moradores pedem bênçãos e agradecem graças recebidas, ao Salvador, ao Menino Jesus!

O grupo Primos do Ribeirão de Iepê é um desses que mantém essa tradição religiosa e folclórica e fará sua festa no sábado, na Capela do bairro rural Ribeirão Bonito. Geralmente, mais de mil pessoas participam do evento. De acordo com Lúcio Braga de Oliveira Monteiro, conhecido como Lúcio Viola, integrante do grupo desde os 17 anos de idade, neste dia 7 eles encerram mais uma caminhada de fé e esperança anunciando o nascimento do menino Jesus e a chegada dos três reis a seu encontro, em Belém.

Segundo ele, apesar do número menor de componentes nesse ano, a companhia mantém a tradição na fé cristã, fazendo a peregrinação de casa em casa, arrecadando prendas para o almoço que é ofertado a todos de forma gratuita, graças ao esforço da comunidade e das pessoas que recebem a bandeira e colaboram com essa grandiosa obra.

“A chegada da bandeira está prevista para o meio-dia quando, então, será servido o almoço a todos. Esperamos cada um de braços abertos com muita emoção e alegria”, expõe Lúcio.

 

Fiel à data

No distrito de Rancharia, em Agissê, a tradição segue ainda mais à risca a data. Isso porque, conforme Joemar Amaro Garcia dos Reis, 32 anos, um dos membros foliões da Cia de Reis Agissê, não importa em que dia da semana caia o dia 6, mas a festa é realizada exatamente em tal. A turma também vem com sua peregrinação pelos lares dos sítios da região, mais de 200 casas, desde o Natal, e nesta sexta-feira cumpre-se a missão dos crentes na fé.

Existe todo um ritual envolto a emoções. Segundo ele, às 15h acontece a chegada da bandeira, no salão paroquial da igreja São Sebastião, em seguida a louvação dos três arcos, depois do presépio, reza-se o terço e finalizando é servido o jantar feito com as prendas recebidas dos moradores que visitaram.

Joemar conta que entrou para o grupo que está com 13 anos de atividades, há nove, pois a esposa e seu sogro já faziam parte. O embaixador e mestre da companhia é o senhor Orvando Fernandes, Wando, 73 anos, que, em outra ocasião, falou à reportagem que a companhia leva ao povo a mensagem que simboliza e faz alusão ao caminho percorrido pelos três reis magos para se encontrarem com o menino Jesus.

Ele destacou: “Essa é uma festa em que primeiramente cumprimos com toda a parte religiosa, rezamos o terço, agradecemos a vida e depois com a chegada da bandeira nos divertimos e festejamos a parte folclórica. Percebemos a nostalgia nas pessoas, que demonstram de várias formas a alegria, a saudade de familiares que já se foram, a fé e o amor a nosso Senhor Jesus Cristo”.

 

Andar com fé

Apesar de ser tradição duas bandeiras se encontrarem em uma missa na matriz da cidade de Ribeirão dos Índios, neste ano apenas o grupo Folia de Santos Reis, que tem como presidente Donizetti Magro, 52 anos saiu em peregrinação.

Como de praxe, centenas e centenas de casas foram visitadas onde o grupo conseguiu 1 mil quilos de carne, para a festa que será realizada no dia 23.

Donizetti exclama que é uma alegria sem explicação dar continuidade a esta tradição de fé e devoção, que começou há 65 anos com seu avô João Zanfolin, depois teve continuidade com seu tio Ângelo e há 13 anos com ele à frente.

“Somos sempre muito bem recebidos em cada lar que passamos. As demonstrações de fé emocionam a todos que pedem e agradecem pelas bênçãos recebidas de suas famílias. E renovamos nossas intenções pedindo ao Menino Jesus que nos abençoe e proteja neste ano que iniciamos”, roga Donizetti.