30 de dezembro de 2016 às 10h07 - Editorial
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População falha, mais uma vez, na tarefa de cuidar do meio ambiente

 

É com muita frequência que esse diário aborda problemas relacionados ao despejo irregular de lixo, bem como entulhos, em lugares não apropriados. Para não contratar um serviço particular de caçamba, munícipes insistem na desrespeitosa prática de jogar galhos e restos de jardinagem, amontoados de construção, móveis velhos e tantos outros objetos em qualquer área desocupada. Terrenos baldios, APPs (áreas de preservação permanente), espaços públicos e privados inativos…tudo é alvo do descarrego de lixo, entulho e até animais mortos.

As consequências dessa conduta todos já conhecem: animais peçonhentos, proliferação do Aedes aegypti, mosquito-palha e outros insetos que causam doenças que podem até matar. Mesmo assim, há quem feche os olhos para o meio ambiente e bem-estar social e não faz boa gestão nem do que é público.

Em agosto de 2016, a Prefeitura de Prudente implantou o projeto Caçamba Social, dispondo de equipamentos em diferentes pontos da cidade para receber entulhos, antes descartados irregularmente. Em cada um dos oito pontos, havia três caçambas classificadas pelas cores amarela (para resíduos de construção), verde (para restos de podas, galhos de árvores e outras vegetações), e azul (para materiais recicláveis). Apesar da divulgação ampla, bem como a sinalização nas caçambas, muitos misturavam os materiais e depositavam seus entulhos sem se importar com a separação adequada. E para piorar, o vandalismo deu conta de atear fogo e danificar os recipientes.

É uma pena que tenha sido necessário suspender, ainda que temporariamente, o projeto pelo fato de as pessoas não terem feito bom uso das caçambas. Outro fator que levou à pausa da iniciativa diz respeito à demanda de descarte, que foi maior que a prevista. Claro que isso deve ser revisto pelo poder público, pois a ideia é positiva e um meio de diminuir o problema com entulhos nos bairros.

Mas como melhorar a situação ambiental da cidade se os principais beneficiados não se preocupam em mudar suas posturas? Como crer que as placas “Proibido jogar lixo e entulhos” serão respeitadas, se há quem ignore até as indicações das caçambas gratuitas? Como criticar apenas o governo, se quando são desenvolvidos projetos, parte dos favorecidos continua desrespeitando o coletivo e contribuindo para a proliferação de doenças sérias como dengue, leishmaniose, chikungunya e zika vírus?

A educação ambiental só será efetiva quando cada um assumir a responsabilidade de zelar pelo próximo. Quando um se preocupar com o bem-estar do outro, ninguém depositará lixo e entulhos em lugares indevidos. Quando um ser humano agir em benefício do outro, desta ou das próximas gerações, o meio ambiente estará protegido desta avalanche de irresponsabilidades cujas consequências são drásticas e coletivas.