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“Balão Mágico”

“Sou feliz, por isso estou aqui. Também quero viajar nesse balão. Superfantástico, no balão mágico, o mundo fica bem mais divertido. Vamos fazer a cidade virar felicidade, com nossa canção. Vamos fazer essa gente voar alegremente no nosso balão. Tantas crianças já sabem que todas elas cabem no nosso balão, até quem tem mais idade, mas tem felicidade no seu coração”. Essa foi uma canção da turma do Balão Mágico dos anos 80, lembram-se?

E tem o Trem da Alegria Uni-Duni-Tê que diz assim: “Vai nos levar para um mundo de magia onde a fantasia vai entrar na dança e quando o brilho do amor chegar eu quero é mais brincar, melhor é ser criança”. Faço uma alusão entre o Balão Mágico dos anos 80 com as “palestras mágicas” em como transformar-se em “super-heróis”. A febre nos dias atuais. Nosso “balão mágico” da contemporaneidade assumiu outra cara e transformou-se nas chamadas palestras de autoajuda ou palestras motivacionais.

Todas para incitar o ser humano a superar resultados e a si mesmo. Palestras inspiradoras em que possuem a chave do sucesso ou da felicidade: “Venham vocês que são tímidos, inibidos, deprimidos, vamos ensinar o verdadeiro sentido da vida. Vocês irão libertar-se de todos os seus problemas em menos de duas horas”. Quanta magia! Surpreendente o quanto o ser humano encontra-se vulnerável a ponto de acreditar que dá para adquirir um terreno no céu, comprando aqui na Terra.

Se paga uma exorbitância para um palestrante deste nível, que oferecerá um curso de imersão ao fim de semana e ao final não fica tampouco o nome do mesmo na memória. Pessoas incapacitadas mobilizando aspectos intrapsíquicos do outro e cientificamente despreparadas. Estamos em direção da urgência do preenchimento de um vazio-angústia, e pela perfeição, que é impossível. É uma geração - espelho de idealizações inalcançáveis, gerando patologias do vazio. Isso gera depressão, ansiedade e psicose.

Precisamos entender a necessidade de suportar as incertezas, dúvidas, imperfeições, e aceitar que não podemos dominar tudo. Mergulhar e entender que aprendemos com a experiência emocional. Promessas de “você irá transformar-se num palestrante ou num grande treinador de pessoas” são falsas. Não há crescimento e transformações sólidas, sem a capacidade para simbolização. Os impulsos sem um pensamento reflexivo geram atuações catastróficas. Necessitamos de significar espaços mentais, não digeridos, metabolizados sobre as perdas, separações, incapacidades, timidez, mudanças e do que consideramos novo. Como nos diz a música dos Titãs: “Você tem fome de que? Você tem sede do que?”. Para você a comida é só a que está no prato? Precisamos sair dessa concretude e estupidez.

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