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Empatia: palavra-chave na luta contra a Covid

Profissionais da saúde contam os desafios de estreitar os laços durante atendimentos

PRUDENTE - ROBERTO KAWASAKI

Data 17/07/2020
Horário 09:28
AI do HR - James coloca em prática o lado humano Foto: AI do HR - James coloca em prática o lado humano

“Olhar com empatia e carinho fazem muita diferença nesse momento tão difícil para os doentes e suas famílias”. É assim que Fabiana Guedes Akaki, médica intensivista da Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente, descreve a relação entre profissional e paciente que luta contra a Covid-19. No hospital há oito anos, conta que nunca viveu uma situação parecida, mas que tem conseguido atuar de forma profissional e saudável. 
Controlar a ansiedade para encarar o desconhecido, angústia, incertezas e medo de contrair a doença e contaminar outras pessoas foram barreiras que precisaram ser derrubadas para que pudesse atender conforme a vocação. O cuidado humanizado é que sustenta a relação com os pacientes. A partir do convívio diário, os laços se estreitam, e qualquer mudança no quadro clínico pode afetar o trabalho se não houver controle. 
Quando um paciente perde o combate, o sentimento de tristeza é inevitável. Por outro lado, a médica lembra que a recuperação traz a sensação de “muita felicidade”, assim como observado nos olhares da equipe a cada alta registrada por vídeo nos corredores do hospital. Um exemplo recente da Santa Casa foi a cura do comerciante Florisvaldo Teixeira, que passou 56 dias internado. A recuperação foi acompanhada pela psicóloga hospitalar, Cinthia Damião Andreasi Munhoz, que trabalha com pacientes exclusivos de coronavírus. 
“O acompanhei desde a sua admissão”, lembra. “Nestes dias intensos fomos entrelaçando o vínculo afetivo, onde pude exercer com êxito o papel de mediadora, atingindo o objetivo, que é o de amenizar o sofrimento e poder ser a voz da família diante a sua impossibilidade de estar presente fisicamente”, relata. “Assistir de perto a recuperação do paciente não tem preço, sua superação com certeza é a vitória da equipe e de seus familiares”.

Administrar as emoções

No HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo não é diferente. O supervisor de Fisioterapia, James Falconi Belchior, coloca em prática o lado humano e afirma não ser nada fácil administrar as emoções e sentimentos gerados ao longo dos dias de enfrentamento. Ele diz que grande parte dos pacientes têm se recuperado. Mas, que já houve mortes, até mesmo da mesma família, o que abala o emocional. 
“É muito triste para todos, inclusive para nós enquanto equipe, que acompanhamos de muito perto tudo isso”. O que motiva James, assim como boa parte dos profissionais ouvidos em outras reportagens a acolherem os doentes, é a força espiritual. “É Ele que tem equilibrado nossa inteligência, emoções e sentimentos”, considera. “A vida de cada um que aqui chega precisando de nossos cuidados nos impulsiona a buscar a excelência e a cura”, e claro, a transmitir o sentimento de empatia. 

Fotos: AI da Santa Casa

Fabiana Guedes Akaki, médica intensivista da Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente
Fabiana procura olhar com empatia e carinho os pacientes

Psicóloga hospitalar, Cinthia Damião Andreasi Munhoz, que trabalha com pacientes exclusivos de coronavírus na Santa Casa de Prudente
Cinthia acompanhou paciente de Covid por 56 dias

SAIBA MAIS

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