Paulo Miguel - Rogéria Oliveira: "“Todo acolhimento é feito de forma humanizada”"

Foto: Paulo Miguel - Rogéria Oliveira: "“Todo acolhimento é feito de forma humanizada”"

Acolhimento para vítimas de abuso sexual

  • 30/11/2019 06:51
  • PEDRO SILVA - Especial para O Imparcial

No Fórum Municipal de Enfretamento à Violência contra a Mulher: Mobilizar é preciso, realizado ontem, a enfermeira responsável pelos casos epidemiológicos do HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Céravolo de Presidente Prudente, Rogéria Oliveira, explicou sobre o fluxo de atendimento às pessoas em situação de violência sexual, um esquema para amenizar o impacto das consequências de um abuso sexual.

A organização consiste em uma união dos sistemas municipais e estaduais de saúde, que acolhem, tratam, reportam e garantem o tratamento às vítimas. Quando relatado, o abuso pode ser categorizado em dois grandes grupos, sendo de violência aguda, de casos que ocorreram em até 72h antes do atendimento, e violência crônica, casos que ocorreram em um tempo maior do que três dias.

Ao entrar em contato com o telefone 192, o solicitante será levado ao HR e será atendido por uma equipe formada por um assistente social, psicólogo e um membro da Vigilância Epidemiológica, que colhem o relato da vítima de forma conjunta para que não seja necessária a repetição dos fatos, para não gerar desconforto a quem necessita de ajuda. “Todo acolhimento é feito de forma humanizada”, destaca Rogéria.

ENCAMINHAMENTOS

E PROCEDIMENTOS

As vítimas recebidas são consultadas por médicos especialistas para cada caso (ginecologistas no caso das mulheres) e passarão por exames para detectar DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), como HIV, sífilis e hepatite, ou uma possível gravidez. “Se a pessoa quiser, em um primeiro momento, após a coleta do caso pela equipe, poderá conversar particularmente com um psicólogo”, destaca a enfermeira.

Se o caso for de uma violência aguda, medicamentos são aplicados e testes preventivos realizados. “São aplicados contraceptivos preventivos, e também medicamentos para controle de doenças”, pontua a profissional. “Em alguns casos é necessária a internação”, acrescenta.

O atendimento é prolongado, se mantendo com a vítima durante o período de confirmação e gravidez, ou doenças que não puderam ser detectadas em um primeiro momento. “Nós temos que manter contato com esses pacientes, pois eles precisam refazer alguns exames para confirmar se houve uma soroconversão, por exemplo, ou um caso de gravidez não detectado pelo período do exame”, explicou Rogéria durante a palestra.

ACOLHIMENTO E

NÃO JULGAMENTO

Por medo, ou vergonha, muitas vítimas não reportam a agressão sexual, o que pode levar a doenças e uma gravidez. Neste último caso, a responsabilidade é passada ao Hospital Estadual Doutor Odilo Antunes de Siqueira, onde a vítima pode escolher entre ter o filho, podendo ficar ou não com a criança, a entregando à adoção, ou interromper a gravidez - se feita em até três meses de gestação, o que é legal perante a lei.

A enfermeira destaca que todo o processo é feito de modo a causar o menor impacto à vítima, e principalmente de forma humanizada. “A vítima necessita de acolhimento e não julgamento”, em referência a casos em que pacientes chegaram até o HR e relataram casos de constrangimento devido à situação.

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