Como auxiliar as crianças durante período de pandemia?

Psicólogas apontam estratégias para manter a segurança dos pequenos e evitar ansiedade durante a quarentena; acompanhamento de profissionais pode ser necessário

VARIEDADES - MARCO VINICIUS ROPELLI - Especial para O Imparcial

Data 10/05/2020
Horário 11:00
Cedida: Andreia destaca a importância de definir cronogramas de brincadeiras e estudos Foto: Cedida: Andreia destaca a importância de definir cronogramas de brincadeiras e estudos

Não é fácil falar sobre um momento que não se tem nada igual como referência. Nos últimos cinco, dez, vinte e tantos anos, para uma criança, permanecer em casa era sinal de descanso, ou nas férias escolares, ou nos feriados e fim de semana. Agora não mais, a rotina presencial em todas as atividades foi alterada e estar em casa deixou de ser sinônimo de ócio e o aconchego tornou-se local para desenvolvimento de atividades e trabalhos, para crianças e adultos.

Se os pais já perdem, durante o isolamento social noções de tempo e por vezes sentem-se angustiados ao refletir sobre a pandemia, pense nas crianças que, por vezes, não compreendem este contexto em sua completude. “Como todo mundo, as crianças percebem o que está acontecendo ao redor. Também ficam com medo e com ansiedade frente as novas situações”, afirma a psicóloga especializada em neuropsicologia Andréia Pereira do Lago Muchiut, 29 anos.

Da mesma forma, a psicóloga clínica da infância e adolescência Mariane Alvim Brito, 27 anos, ressalta uma diferença fundamental entre os adultos e os pequenos. “Nós adultos que conseguimos identificar nossas emoções e ‘controla-la’, muitas vezes não estamos conseguindo dar conta nesta pandemia; imagine as crianças que não sabem identificar e controlar as emoções, estando em fase de desenvolvimento”, ressalta.

Nesse momento, as duas psicólogas apontam a necessidade de os pais estarem atentos aos sentimentos das crianças, visto que, em boa parte das vezes e com as emoções que elas mais se comunicam. “Voltando o olhar para as emoções e sentimentos as famílias conseguem compreender melhor o porquê a criança fez o que ela fez”, pontua Andreia. Mariane completa ao dizer que “a criança necessita ter referências familiares para que ela possa ter um bom desenvolvimento. O cuidado com as emoções ajuda a criar mais autoconfiança nas crianças e saber que elas podem contar com os responsáveis”.

Portanto, as psicólogas garantem a importância de se ter acompanhamento psicológico e terapêutico, especialmente, quando mudanças comportamentais são notadas, seja por pais ou escola, ou até, em contextos como este que vivemos, quando os pais percebem que sozinhos não conseguem passar a tranquilidade necessária aos filhos.

 

COMO AS FAMÍLIAS

PODEM AJUDÁ-LAS?

As psicólogas apontam caminhos para que o momento de quarentena não seja penoso ou traumático para as crianças. Mariane afirma que orienta aos pais sempre conversar com a criança com qualidade, sempre na altura dela com olhar nos olhos. “Com isso já vai trazer inúmeros benefícios como ela se sentir mais ouvida, confiante, respeitada, Essa conversa pode ser feita também através de desenhos e jogos, precisamos sempre respeitar a idade cognitiva e cronológica da criança e nunca cobrar a mais do que ela pode nos dar”, enfatiza.

Andreia lembra também que o home office é uma oportunidade da família estar mais próxima: “Sei que alguns adultos estão trabalhando no formato home office. Mas a beleza do home office é que você consegue arrumar uma brincadeira para conseguir fazer os dois. É importante também que conversem com as crianças sobre a hora de brincar e a hora de estudar. É importante criar um cronograma com uma rotina fixa para deixar mais claro para as crianças o que irá acontecer no dia, ajudando também a diminuir a ansiedade”, pontua.

No fim das contas, o novo cenário prova a todos dúvidas, e a superação pode vir do exercício da confiança: “O elogio é uma ferramenta poderosa na mudança comportamental e no aumento da segurança infantil, pois o reconhecimento da capacidade da criança funciona como um estímulo para que ela continue acreditando em si mesma e se esforçando”, afirma Mariane. Fica, portanto, lançado o desafio aos pais que em quarentena exercem a função 24h por dia.

 

“O cuidado com as emoções ajuda a criar mais autoconfiança nas crianças e saber que elas podem contar com os responsáveis”.
Mariane Alvim Brito

 

Cedidas

Mariane fala em elogio como poderosa ferramenta na mudança comportamental

 

 

 

 

 

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