Máscara em tecido é opção contra Covid-19

Assim como por todo o Brasil, na região de Presidente Prudente não é diferente: seja para obter uma renda ou para servir ao próximo sem lucro algum, mulheres confeccionam o item

VARIEDADES - OSLAINE SILVA - Da Redação

Data 19/04/2020
Horário 10:44
Cedida - Com seu comércio fechado, Helena fez a 1ª doação e agora vende as máscaras para ter renda Foto: Cedida - Com seu comércio fechado, Helena fez a 1ª doação e agora vende as máscaras para ter renda

Embora as máscaras de tecido não sejam 100% apropriadas, seu uso é uma boa alternativa para quem quer se proteger sem tirar a descartável de quem realmente precisa (aquele paciente que está apresentando sintomas parecidos aos do coronavírus). Com isso, há dias, várias mulheres por todo o país têm se dedicado à produção desse item. E na região de Presidente Prudente, não é diferente, seja para obter uma renda ou para servir ao próximo sem lucro algum.

Em uma semana, a comerciante - que é costureira há mais de 40 anos, inclusive trabalhou em uma grande empresa em São José dos Campos (SP) -, Helena Maria dos Prazeres Freitas, 58 anos, de Presidente Bernardes, confeccionou 1.200 unidades. Segundo sua filha, Katia Cristina de Freitas, 38 anos, que a ajuda, em média a mãe faz 35 máscaras por hora quando se senta à máquina.

“Minha mãe decidiu começar a produzi-las pensando nos idosos do asilo que fica perto de casa. Ela, que resolveu voltar a morar onde nasceu, sentiu vontade de fazer uma doação, pois sabemos da necessidade deles. Então, como estamos com nosso comércio fechado, começamos a comercializar também para garantir nossa renda neste momento. E, graças a Deus, estamos tendo um bom retorno, pois estamos vendendo mais no atacado, por exemplo, acima de 100 peças a unidade fica em R$ 3”, expõe Katia, destacando que o sentimento é de gratidão a Deus por tê-las capacitado a realizar esse trabalho, que de alguma forma ajuda outras pessoas.

Em um ambiente totalmente isolado da casa, mãe e filha transformam metros e metros de tricoline 100% algodão em máscaras para o “controle de transmissão do coronavírus”.

“EU RECEBI PEDIDO DE UMA EMPRESA PARA FAZER ESTILIZADAS. MAS COMO O SERVIÇO É PAGO, PREFIRO DEIXAR PARA AS COSTUREIRAS PROFISSIONAIS QUE ESTÃO SEM SERVIÇO”

Luciana Ariki Stelato

“Durante a confecção e manuseio em minha oficina de costura, usamos máscaras, luvas e touca. Higienizamos todo o local com uma mistura de água com cloro, e depois álcool 70%. Na entrega, também usamos máscara e luvas, além de estarmos sempre com o álcool em gel”, esclarece Katia, que aceita pedidos, além de sua cidade, de Prudente também.

TUDO POR AMOR

AO PRÓXIMO

Em Santo Anastácio, ao ver a dificuldade das pessoas em encontrar a máscara para comprar, a mãe de quatro filhos, Luciana Ariki Stelato, 42 anos, que aprendeu a costurar com sua mãe na infância, se sentiu tocada e motivada a produzi-las para doar aos que não têm condições. Para as pessoas carentes e para as demais como pagamento ela pede produtos de higiene, limpeza ou alimento não perecível, que posteriormente ela destina a alguma entidade.

“Funciona assim: uma máscara por um alimento ou produto de limpeza. Ou então, um kit de higiene pessoal. A primeira doação fiz ao abrigo dos idosos da nossa cidade. Eu recebi um pedido de uma empresa para fazer as estilizadas. Mas como o serviço é pago, prefiro deixar para as costureiras profissionais que estão sem serviço”, expressa a benfeitora, que começou a produção com doações de materiais das amigas. Hoje ela compra tudo, mas não está encontrando a matéria-prima.

Antes de fazer as máscaras, Luciana lava e passa os tecidos (algodão). O que ela recomenda que a pessoa faça antes do uso e após. Depois de prontas, ela as embala individualmente em saquinhos plásticos. E comenta que contou só até as primeiras 200 máscaras. Depois não contou mais.

“Todos os dias tem produção graças a Deus! Pra mim é muito gratificante poder ajudar as pessoas que precisam. Principalmente as que têm problema de saúde e não têm condições de comprar. Mesmo essas que não podem pagar me dão frutas ou verduras que plantam em casa. Porque também se sentem bem em contribuir!”, exclama Luciana que diz colocar ao final de cada máscara todo sentimento de amor, fé e esperança “para superarmos isso o mais breve possível”.

SERVIÇO

Quem precisar de máscaras e não tem condições de comprá-las e quem quiser contribuir com a Luciana Ariki Stelato com tecido, linha, elástico e saquinho plástico para a embalagem pode entrar em contato pelo número (18) 99788-1616.

Já quem tiver condições e quiser fazer pedidos à mãe e filha, Helena e Kátia, o contato é: (18) 99826-3951.

Fotos: Cedidas

Luciana se sentiu tocada a ajudar pessoas que não têm condições


Quem tem como pagar, anastaciana recebe como “moeda” produtos que depois também acaba doando

 

 

 

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