O infarto não respeita a quarentena

OPINIÃO - Paulo Henrique Jorge

Data 17/05/2020
Horário 05:00

A pandemia da Covid-19 tem nos proporcionado experiências e observações inimagináveis, salvo na ficção. As medidas de isolamento nos mostram cenas antes nunca vistas e enormes restrições foram impostas às nossas vidas: quarentena, cancelamento das atividades escolares, restrição de viagens e proibição de reuniões. O mundo está de “portas fechadas”.

Ao mesmo tempo, porém, com a ocorrência da pandemia da Covid-19, é de conhecimento da cardiologia mundial a expressiva redução na procura do atendimento hospitalar em regime emergencial pela presença de sintomas de infarto do miocárdio. Pesquisadores italianos revelaram aumento de 58% no número de infartos fora dos hospitais ao longo dos primeiros 40 dias da pandemia no país, em comparação com o mesmo período no ano passado.

Algumas hipóteses levantadas para a redução observada são: menor estresse no ambiente de trabalho devido à prática do home office, redução no número de cigarros/dia devido à permanência em ambiente doméstico, alimentação mais controlada e de melhor qualidade devido ao maior tempo livre para o preparo de alimentos ou, ainda, menor índice de poluição, devido ao menor número de automóveis nas ruas. Todas elas, porém, meramente especulativas. Muito provavelmente, o medo em função do risco de infecção pelo coronavírus seja o principal motivo da menor busca pelo pronto atendimento.

Considerando que o atraso no atendimento ou até a ausência deste proporciona um significativo aumento das complicações e mortalidade no infarto do miocárdio, a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, através de sua campanha institucional Coração Alerta, orienta a todos que, na presença de sintomas de infarto (dor no peito que pode se irradiar para braços, mandíbula e costas, mal estar generalizado, sudorese fria e intensa, cansaço, falta de ar, náuseas, vômitos), procure imediatamente atendimento médico especializado. Quanto mais precoce o atendimento no infarto, menor a probabilidade de complicações e morte.

Com o propósito de mudar esta realidade e reforçar a necessidade pela procura de atendimento emergencial na presença de sintomas de infarto, a campanha Coração Alerta propõe um slogan: “O infarto não respeita a quarentena”. O isolamento social é sim uma medida de bom senso, mas devemos permanecer atentos aos sinais e sintomas do infarto do miocárdio.

 

 

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