Polícia Civil: Prisões ocorreram nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul

Foto: Polícia Civil: Prisões ocorreram nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul

“DEDO PODRE”

Operação prende 4 por transferência ilícita de CNH

Indivíduos agiam entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, com objetivo de evitar cumprimento de penalidades administrativas de suspensão ou cassação do direito de dirigir

  • 01/08/2019 16:05
  • ROBERTO KAWASAKI - Da Redação

Na manhã de hoje, a Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou a operação “Dedo Podre” e prendeu quatro indivíduos. Eles são acusados por transferência ilícita de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) do Estado de São Paulo para o Mato Grosso do Sul. O objetivo era evitar o cumprimento de penalidades administrativas de suspensão ou cassação do direito de dirigir. A investigação teve início em Dracena. Segundo a polícia, a associação criminosa teria movimentado aproximadamente R$ 200 mil em propina.

Em Dracena, a polícia prendeu o proprietário de um escritório de recursos de multas de trânsito; em Ilha Solteira (SP) foram presos dois proprietários de um escritório despachante; já em Selvíria (MS), agentes prenderam o servidor da autarquia de Agência de Trânsito, do Departamento Estadual de Trânsito do Mato Grosso do Sul. Ainda, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

Endereço falso

As investigações tiveram início em março de 2018, em Dracena. No entanto, por meio das técnicas de inteligência policial, constatou-se que a associação criminosa atuava desde 2015. Durante os trabalhos foram identificados 187 condutores de veículos, moradores de Dracena e região, sendo que 107 deles, os quais possuíam cassação ou suspensão da CNH ou outras penalidades administrativas, pagaram propina ao grupo e transferiram ilicitamente a habilitação para o Estado do Mato Grosso do Sul.

Por orientação do grupo criminoso, o condutor do veículo declarava endereço falso no Estado vizinho, a fim de não levantar suspeitas. De acordo com a polícia, um dos integrantes, morador de Dracena, seria responsável pela captação dos clientes que possuíam penalidades administrativas em suas CNHs, e, após o pagamento de propina, os dados eram repassados para um escritório de despachante em Ilha Solteira, de propriedade de dois outros presos, ambos irmãos.

Pagamento de propina

De posse do dinheiro e dos dados pessoais, estes outros dois integrantes repassavam a propina para o gerente executivo da Agência de Trânsito de Selvíria, órgão vinculado ao Departamento de Trânsito do Mato Grosso do Sul. Segundo a polícia, ele fazia “vistas grossas” para as penalidades, em razão do pagamento do suborno, e inseria os dados falsos nos sistemas do Detran do Mato Grosso do Sul.

Desta forma, o condutor do veículo que havia pago a propina e declarado endereço falso, conseguia efetuar a transferência da CNH sem que fosse preciso cumprir as penalidades impostas ou a ser imposta pelo órgão de trânsito do Estado de São Paulo.

Os presos serão ouvidos para esclarecimento dos fatos e, posteriormente, conduzidos a unidades prisionais enquanto aguardam o decorrer do inquérito.