Região será pioneira em distribuição de biogás

Capacidade de produção do biometano chega a 10 milhões de metros cúbicos por dia, o que é equivalente, segundo o setor, ao ‘Pré-Sal’ do oeste paulista

REGIÃO - GABRIEL BUOSI

Data 30/04/2019
Horário 04:00
SP Notícias - Anúncio que beneficiará a região ocorreu na abertura do Agrishow, em Ribeirão Preto
SP Notícias - Anúncio que beneficiará a região ocorreu na abertura do Agrishow, em Ribeirão Preto

Dois municípios da região, Pirapozinho e Presidente Prudente se tornaram oficialmente pioneiras na distribuição de biometano em todo o país. Conforme a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente, a medida faz parte de um projeto intitulado “Cidades Sustentáveis” e foi lançado durante a Agrishow, evento que ocorre em Ribeirão Preto. “Pelo acordo firmado com a iniciativa privada, os municípios poderão usar gás gerado a partir do processamento de resíduos da cana-de-açúcar. Na primeira etapa, a intenção é que 230 mil pessoas sejam beneficiadas com a medida”, informou a pasta estadual. A estimativa é de que a operação comece no segundo semestre de 2020.

Para tanto, duas empresas são parceiras da iniciativa: a GasBrasiliano, responsável pela distribuição de gás natural na região noroeste paulista, e a Usina Cocal, presente na região oeste do Estado. “A distribuidora vai investir R$ 30 milhões no projeto, e outros R$ 130 milhões virão da usina para a produção do combustível”, informou a GasBrasiliano à reportagem. Além disso, comentou que serão construídos 65 quilômetros de rede de distribuição, que levarão o biometano da Usina Cocal, em Narandiba, até Presidente Prudente para atender residências, comércios, indústrias e veículos leves e pesados movidos a GNV (gás natural veicular), além de fomentar a expansão da rede em regiões mais distantes.

“A capacidade de produção do biometano na região é muito grande. Estima-se que pode chegar na ordem de 10 milhões de metros cúbicos por dia e isso para nós é o equivalente ao ‘Pré-Sal’ do oeste paulista, pois representa quase 70% do que consumido no Estado”, diz Walter Fernando Piazza Júnior, presidente da GasBrasiliano.

O biometano é considerado pelo mercado uma alternativa econômica e ambientalmente viável para incrementar e diversificar a matriz energética nacional, conforme a pasta, sendo que, a partir disso, conforme o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, será possível explorar mais uma forma de energia proveniente da cana-de-açúcar, cujo objetivo é o de promover o desenvolvimento sustentável. “Poderemos gerar emprego, renda e também contribuir com o meio ambiente”, afirmou por meio da assessoria de imprensa.

O diretor-superintendente da Cocal, Paulo Zanetti, declarou por meio de assessoria que “a demanda por biogás na região do oeste paulista tem aumentado significativamente nos últimos anos e, como produzir energia limpa e renovável é uma das frentes do negócio da empresa, identificou uma tecnologia capaz de garantir a produção desse gás por doze meses, e não apenas no período de safra”.

Cidades Sustentáveis

Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, a região do Pontal do Paranapanema não conta com rede de distribuição de gás por estar distante do gasoduto Bolívia-Brasil, o que justifica a escolha das cidades. “O modelo poderá ser replicado e contribuir para o desenvolvimento regional, que concentra a maior quantidade de usinas sucroalcooleiras no Estado”.

Para o presidente da Unipontal (União dos Municípios do Pontal do Paranapanema), a medida é vista com “muito entusiasmo”, já que a iniciativa privada fará um “alto investimento” para a geração de biogás na região. “A partir dos restos vegetais da cana-de-açúcar, o produto beneficiará a economia e o meio ambiente de Presidente Prudente e região. É uma iniciativa inovadora e moderna, estratégia também, do ponto de vista social”, finalizou.

Canalização

Em 2017, a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) elaborou a Deliberação 744, que regulamenta no Brasil as condições de distribuição de biometano na rede de gás canalizado do Estado. Esta normativa estabelece as regras para que o biometano fornecido pelos produtores possa ser inserido na rede pública de gás canalizado”, disse o diretor-presidente da agência, Hélio Castro, por meio da assessoria de imprensa.

“Essa ação inédita ajuda no modelo de gestão e contribui numa relação de coalizão para melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem na cidade e no campo”, comentou o governador João Doria (PSDB), durante o evento.

Saiba mais

Conforme a ANP (Agência Nacional do Petróleo), o biometano é um biocombustível gasoso obtido a partir do processamento do biogás. Por sua vez, o biogás é originário da digestão anaeróbica de material orgânico - decomposição por ação das bactérias, composto principalmente de metano e dióxido de carbono. “É produzido a partir de produtos e resíduos orgânicos agrossilvopastoris, resíduos agrícolas, estercos animais, esgoto doméstico e resíduos sólidos urbanos.

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