São Paulo investe em biotecnologia no campo

Contexto Paulista

COLUNA - Contexto Paulista

Data 11/01/2020
Horário 05:11

A Fapesp promove ações na área de biotecnologia, de modo a combater, por exemplo, os efeitos das secas severas, que atingem diversas culturas agrícolas usadas para alimentação e produção de bioenergia. Os desafios da agricultura frente às mudanças no clima são temas debatidos por especialistas para elevar a produtividade no campo e suavizar os efeitos das alterações no meio ambiente. Um exemplo é o projeto conduzido na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) por pesquisadores que identificaram fungos e bactérias que favorecem o crescimento da cana-de-açúcar e, posteriormente, inocularam esses microrganismos em culturas de milho. O experimento resultou em plantas com maior tolerância à escassez de água e em um aumento da biomassa de até três vezes.

Incentivo ao agronegócio
O governo estadual alterou a incidência de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para a aquisição de máquinas importadas no Estado de São Paulo. As medidas conferem maior competitividade ao agronegócio. O decreto do governador foi assinado em 19 de dezembro de 2019. Com isso, os setores de leite e derivados, frutas secas, moagem e produtos de origem vegetal passarão a contar com benefícios de ICMS para a aquisição de equipamentos.

Impacto imediato
Entre as mudanças estão a desoneração do imposto incidente na importação de máquinas sem similar nacional. Anteriormente a alíquota variava entre 18 a 12%. No caso de aquisição direta de fabricante localizado no Estado de São Paulo, o creditamento do imposto incidente passa a ser à vista. Até então o pagamento era feito apenas após quatro anos. “As mudanças irão beneficiar produtores rurais e famílias que se dedicam à produção da matéria-prima para a indústria de alimentos e bebidas”, diz o secretário de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira.

Pesquisa de ponta
Um grupo de pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) trabalha no desenvolvimento de uma biotinta capaz de produzir tecidos neurais em três dimensões (3D) que simulem o cérebro humano e permitam o estudo mais preciso de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer. A ideia é reproduzir o funcionamento do sistema nervoso central de forma mais fiel do que a adotada nos estudos atuais, feitos em placas de cultura – com apenas um tipo de célula e em formato bidimensional (2D) – ou em camundongos, que, apesar da proximidade do genoma com o dos seres humanos, não possuem cérebros tão complexos. A biotinta será usada em uma bioimpressora 3D, que imprime diversas camadas até formar uma estrutura semelhante a um tecido ou órgão.

Nas estradas
O governo estadual realizou leilão do lote de rodovias estaduais paulistas Piracicaba-Panorama. Com 1.273 quilômetros, trata-se da maior concessão rodoviária do país. A concessão de 30 anos prevê investimentos de R$ 14 bilhões para a infraestrutura rodoviária que atravessa São Paulo desde a região de Campinas até o extremo oeste do Estado, na divisa com o Mato Grosso do Sul.

Duplicações
Estão previstos 600 quilômetros de duplicações e novas pistas (contornos urbanos). Também haverá faixas adicionais e vias marginais, entre outras, obras que melhoram a fluidez, o escoamento da produção regional e a segurança viária. Serão implantados, ainda, acostamentos, novos acessos e retornos, recuperação de pavimento, passarelas e ciclovias.

Quem usa mais, paga menos
Uma inovação tarifária da nova concessão é o DUF (Desconto de Usuário Frequente), modelo inédito no Brasil e que irá beneficiar os motoristas que utilizam o trecho rodoviário com maior frequência, principalmente moradores de pequenas cidades que usam as rodovias quase que diariamente para acessar a rede de comércio e serviços de municípios vizinhos.

Safra recorde
A safra de cereais, leguminosas e oleaginosas fechou 2019 com uma produção recorde de 241,5 milhões de toneladas, segundo a última estimativa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De acordo com dados divulgados esta semana, a estimativa é 6,6% superior à safra de 2018, de 226,5 milhões de toneladas, e 1,3% maior que o recorde anterior, de 2017, de 238,4 milhões de toneladas. Conforme o IBGE, a soja, que é o principal grão, no entanto, fechou com 113,5 milhões de toneladas, uma queda de 3,7% em relação a 2018. O arroz também teve redução de 12,6%.

Milho e algodão
As quedas foram compensadas, principalmente, pelas produções recordes de 100,6 milhões de toneladas de milho, com 23,6% a mais que em 2018, e de 6,9 milhões de toneladas de algodão, uma alta de 39,8%. O IBGE também divulgou seu terceiro prognóstico para a safra de 2020, que deverá ser ainda maior do que a estimada para 2019, de 243,2 milhões de toneladas, ou seja, 0,7% acima da safra do ano passado. Entre as seis principais safras de grãos, apenas a segunda safra do milho deverá apresentar queda em relação em 2019, de 10,4%. As demais deverão apresentar alta: soja (7,8%), arroz (0,9%), primeira safra do milho (1,8%), algodão (2,7%) e primeira safra de feijão (3,3%).

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