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Startup paulista desenvolve máscara reutilizável e mais segura

COLUNA - Contexto Paulista

Data 22/04/2020
Horário 16:32

Uma máscara para profissionais de saúde e a população em geral, reutilizável, e que confere maior nível de proteção contra a contaminação pelo novo coronavírus, é o que promete a startup paulista Nanox, que desenvolveu o produto em parceria com a indústria de plásticos Elka. A máscara é feita com um polímero flexível, semelhante a uma borracha, moldável aos contornos do rosto e com micropartículas com propriedades antimicrobianas à base de sílica e prata incorporadas à superfície do material. A tecnologia foi desenvolvida por meio de projetos apoiados pelo programa Pipe (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresa) da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A partir de maio
“As micropartículas de prata e sílica aumentam o nível de proteção ao impedir a presença na máscara de fungos e bactérias, que podem facilitar a adesão e a proliferação do novo coronavírus na superfície de materiais”, disse Luiz Gustavo Pagotto Simões, diretor da Nanox, em divulgação da Agência Fapesp. Inicialmente serão produzidas 200 mil máscaras, cujo custo unitário é estimado entre R$ 20 e R$ 30. As primeiras unidades estão previstas para serem entregues no início de maio. A Elka pretende doar até 10% da produção para instituições de saúde.

Dois filtros
De acordo com os pesquisadores, a fim de garantir a proteção contra o novo coronavírus, a máscara é totalmente esterilizável por meio da lavagem com água e sabão antes e após o uso. Para proteger as vias respiratórias, o equipamento de proteção individual possui dois filtros descartáveis do tipo PFF2, similares ao do tipo N95 presente nas máscaras usadas pelos profissionais de saúde. Os filtros são inseridos em respiradores nas laterais da máscara e protegidos por tampas, que impedem o contato físico e a contaminação pelo toque direto com as mãos. A quantidade de material necessário para produzir os filtros também é muito inferior à utilizada para produção das máscaras convencionais, compara Simões.

Certificação
O material passou por testes de eficiência de filtragem bacteriológica (BFE, na sigla em inglês) – que determinam a eficiência da filtração bacteriana de um produto –, alcançando o valor mínimo de 95% requerido pela regulamentação técnica para máscaras respiratórias do tipo N95. “A meta é obter posteriormente a certificação do material como PFF2, equivalente a N95. Mas o produto já pode ser comercializado porque, em razão da pandemia do novo coronavírus, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) flexibilizou as normas para fabricação de alguns produtos voltados ao combate da Covid-19.

Para a população
Simões diz ter recebido seis pedidos antes do lançamento oficial do produto. A ideia é atender inicialmente o mercado nacional e que a máscara possa ser utilizada não só por profissionais de saúde que estão na linha de frente de atendimento de pacientes com Covid-19, mas pela população em geral. A Nanox e a Elka se conheceram no IEC (International Entrepreneurship Center), uma aceleradora de negócios situada em Boston, nos Estados Unidos, onde a Nanox tem uma filial. Fabricante de brinquedos, a Elka buscava uma forma de utilizar parte ociosa de seu parque de injetoras para desenvolver um produto voltado a auxiliar no combate à Covid-19 e soube pelo IEC sobre as soluções desenvolvidas pela Nanox.

Testes rápidos
Pesquisadores no Estado de São Paulo estão desenvolvendo testes rápidos e baratos para ampliar a capacidade de diagnosticar a Covid-19. As iniciativas utilizam diferentes estratégias para detectar o vírus ou os anticorpos gerados pelo organismo para combatê-lo. O objetivo é identificar com precisão quem está infectado e também aqueles que já tiveram a doença, mesmo que de forma assintomática, e que, em teoria, estariam imunizados. Algumas dessas iniciativas de testes rápidos para o novo coronavírus (SARS-CoV-2) são desdobramentos de pesquisas anteriores para a detecção de infecções por zika, dengue ou outras doenças virais e que agora recebem nova modelagem para a detecção da nova doença.

Descontaminação
No Instituto de Física de São Carlos, da USP (Universidade de São Paulo), pesquisadores criaram uma câmara de ozônio para descontaminar máscaras respiratórias e equipamentos de proteção individual (EPIs) utilizados por profissionais de saúde no combate à Covid-19. As máscaras são colocadas no interior da câmara, onde passam por ciclos de vácuo e atmosfera saturada de ozônio, penetrando em todas as partes e promovendo sua descontaminação. Com o equipamento, o Grupo de Óptica do IFSC estuda a criação de uma central de descontaminação das máscaras usadas nos hospitais da região de São Carlos.

Ventiladores
A empresa paulista Magnamed assinou contrato com o Ministério da Saúde para fornecer 6,5 mil ventiladores pulmonares até agosto de 2020. O acordo busca atender o aumento da demanda dos hospitais no Brasil pelo equipamento.

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