O silêncio cirúrgico do Hospital Clínica Ricardo Palma, um dos hospitais privados mais importantes de Lima, no Peru, foi quebrado pelo movimento sutil dos braços mecânicos da plataforma robótica Da Vinci. Sentado na mesa de controle, a poucos metros do paciente, o médico cirurgião prudentino, Rafael Mello Fontolan Vieira, operava não apenas com bisturis virtuais, mas com a precisão de quem carrega na bagagem mais de 300 procedimentos robóticos realizados no Brasil. Convidado pessoalmente pela Allen, representante oficial da Intuitive na região, o especialista desembarcou na capital peruana com uma missão monumental: atuar como o preceptor pioneiro na formação e transição tecnológica de uma nova geração de cirurgiões oncológicos no país vizinho.
O desafio assumido pelo médico do oeste paulista envolveu uma rotina cirúrgica consecutiva e de altíssima exigência técnica. Formado pela Unoeste, o cirurgião assume a preceptoria pioneira da plataforma Da Vinci no Peru pela Rede D'Or, quebrando o monopólio dos grandes centros da capital.
Durante sua estada, Fontolan comandou uma série de três cirurgias oncológicas complexas focadas em câncer hepático e de pâncreas, patologias que exigem intervenções milimétricas em estruturas vasculares nobres.
Mais do que operar, o cirurgião transformou o bloco cirúrgico em uma sala de aula prática avançada, transmitindo os procedimentos ao vivo para a comunidade médica local, interessada em absorver novas táticas operatórias e metodologias de segurança.
O CASAMENTO ENTRE O HOMEM E A MÁQUINA
Transicionar profissionais veteranos da cirurgia tradicional ou laparoscópica para o ambiente digital da robótica exige muito mais do que destreza manual; requer uma quebra profunda de paradigmas e de hábitos sedimentados ao longo de décadas de prática aberta.
Para vencer essa barreira com médicos que, muitas vezes, possuem mais anos de estrada do que ele próprio, o especialista desenvolveu táticas didáticas específicas que facilitam o entrosamento com o sistema.
A plataforma, como o próprio nome do fabricante sugere, é intuitiva, mas o controle fino da máquina exige uma supervisão resiliente.
A metodologia criada pelo cirurgião busca dar conforto físico e mental aos alunos, convertendo o robô em uma extensão natural do pensamento do médico, e não em um obstáculo tecnológico intransponível.
A ENGENHARIA DO ENTROSAMENTO INTERNACIONAL
O clímax informativo da missão deu-se na execução das cirurgias de pâncreas em um ambiente até então desconhecido pela equipe brasileira. Operar fora do próprio ecossistema hospitalar de costume — o cirurgião atua em centros de excelência em São Paulo, como o Hospital Vila Nova Star, São Luiz Itaim, Hcor, Beneficência Portuguesa e Samaritano — exige um planejamento prévio que se estendeu por semanas de reuniões virtuais para discussão minuciosa de cada caso clínico.
"A cirurgia robótica não depende apenas de quem senta no console; ela depende da harmonia absoluta de todo o time de sala. Nosso maior foco inicial foi estabelecer canais claros de comunicação para garantir eficiência total e a segurança absoluta de cada paciente", pontua Rafael Fontolan.
Essa bagagem acumulada no Brasil, que hoje ocupa a vanguarda e serve como um dos principais polos mundiais de cirurgia robótica, credencia seus profissionais a exportarem conhecimento.
A maturidade do setor no mercado brasileiro é tamanha que a equipe de Fontolan submeterá mais de dez casos autorais desenvolvidos em solo nacional para debate no Congresso Mundial de Cirurgia Robótica, que ocorre em Miami, em julho.
DA AMÉRICA LATINA AO ORIENTE MÉDIO
O desfecho desta primeira incursão em solo peruano desenha novos horizontes não apenas para os médicos de Lima, que agora passam a replicar os conceitos de forma autônoma, mas para a própria projeção científica do cirurgião prudentino. No planejamento estratégico para o segundo semestre, estão previstas publicações internacionais detalhando técnicas inovadoras desenvolvidas por ele para o manejo de patologias do aparelho digestivo.
PRÓXIMOS PASSOS DA EXPANSÃO CIENTÍFICA
• Julho 2026: ──────► Apresentação de 10 casos no Congresso Mundial em Miami
• 2º Semestre 2026: ─► Publicação de novas técnicas para cirurgias complexas
• Expansão Global: ──► Fellow em transplante de fígado robótico na Arábia Saudita
O roteiro global do médico inclui ainda uma imersão na capital da Arábia Saudita, Riade. Ele participará de um treinamento avançado em transplante de fígado robótico no prestigiado Hospital King Faisal, ao lado do professor Dieter Bröering, considerado o maior expoente do mundo nessa modalidade.
O objetivo do especialista é claro: absorver cada detalhe da técnica estrangeira para aplicá-la na medicina brasileira, garantindo que o país continue ditando o ritmo da inovação e da segurança cirúrgica global.

DR. RAFAEL MELLO ENTRE COLEGAS PERUANOS

DR. RAFAEL MELLO DURANTE A PROCTORIA PARA CIRURGIÕES DO PERU

DR. RAFAEL OPERANDO PELO ROBÔ DA CLÍNICA RICARDO PALMA, UM DOS HOSPITAIS PRIVADOS MAIS IMPORTANTES DE LIMA

SALA CIRÚRGICA DA CLÍNICA RICARDO PALMA

RAFAEL MELLO E O DR. RAFAEL GARATEA, COORDENADOR DE CIRURGIA ROBÓTICA NO HOSPITAL CLÍNICA RICARDO PALMA, DE LIMA