Garantir que toda criança aprenda a ler e escrever na idade certa não é apenas uma meta educacional: é um pacto social. A alfabetização, especialmente até o 2º ano do ensino fundamental, representa a base sobre a qual se constrói todo o percurso escolar e, mais do que isso, a cidadania plena.
Os dados mais recentes reforçam que avanços são possíveis quando há compromisso e planejamento. Dos 53 municípios do oeste paulista, 28 conquistaram o selo “Ouro” na segunda edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização 2025, promovido pelo MEC (Ministério da Educação). Outros 20 receberam o selo “Prata” e uma cidade foi reconhecida com “Bronze”. Ainda assim, quatro municípios sequer apareceram na lista — um alerta que não pode ser ignorado.
Criada por meio do Decreto nº 12.191, de 20 de setembro de 2024, a iniciativa busca estimular políticas públicas eficientes, capazes de garantir o direito à alfabetização e reduzir desigualdades, conforme previsto no Plano Nacional de Educação e no CNCA (Compromisso Nacional Criança Alfabetizada). Mais do que uma premiação, trata-se de um termômetro da prioridade que cada gestão dá ao futuro de suas crianças.
Mas é preciso ir além dos números. A alfabetização não se esgota na sala de aula, nem pode ser responsabilidade exclusiva dos professores. Ela começa no ambiente familiar, no incentivo à leitura, no acesso a livros, no exemplo cotidiano. Passa também pelo investimento público, pela formação continuada de educadores, pela valorização profissional e por políticas que assegurem condições dignas de ensino.
Celebrar os municípios que avançaram é importante, mas igualmente essencial é olhar para aqueles que ainda não conseguiram alcançar os resultados esperados. Não se trata de competição, mas de cooperação. Cada criança não alfabetizada no tempo certo representa uma oportunidade perdida e um desafio ampliado para o futuro.
Alfabetizar é, antes de tudo, um ato de responsabilidade compartilhada. Quando uma sociedade decide colocar suas crianças no centro das prioridades, ela não apenas melhora indicadores educacionais, mas transforma realidades. E esse é um compromisso que precisa ser assumido por todos: gestores, educadores, famílias e comunidade.