"Boa noite, Cinderela" é alvo de investigação pela Polícia Civil

Mulher de 47 anos conhecia homens pela internet e diluía medicamento nas bebidas, para que pudesse roubar os pertences

REGIÃO - ROBERTO KAWASAKI

Data 20/02/2021
Horário 09:36
Foto: Polícia Civil
Medicamentos eram diluídos em bebidas dos visitantes
Medicamentos eram diluídos em bebidas dos visitantes

Há muito tempo se ouve falar sobre o golpe do “boa noite, Cinderela”. A ação consiste em o indivíduo utilizar drogas ou tranquilizantes para dopar a vítima, como meio de praticar algum crime. Muito comum em boates e danceterias, apesar de antigo, o delito continua bastante atual, inclusive, com vítimas na região do Deinter-8 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), que na semana passada prendeu uma mulher e identificou diversas pessoas que haviam sido prejudicadas. 

Mateus Nagano da Silva, delegado de Polícia Civil em Presidente Prudente, afirma que dentro desta prática, existem duas modalidades. Uma delas é caracterizada como roubo simples com violência imprópria.

“A pessoa utiliza algum tranquilizante, algum alucinógeno, justamente para a vítima perder os sentidos, e o autor se aproveita da situação para se apoderar dos bens pertencentes a ela”, explica. Outra vertente alcança crimes de natureza sexual. “Ele não fica tipificado como estupro comum e vai para a forma mais qualificada, que é uma forma mais grave de estupro”, salienta. 

Ainda conforme o delegado, boa parte das vítimas são pessoas que frequentam festas no período noturno, geralmente os mais jovens. “Fica a orientação para que não consumam nada que seja do copo de outra pessoa. E sempre que for consumir bebida, prestar atenção ao que está sendo consumido”, explica.

O delegado conta que com o passar do tempo, o crime foi se aperfeiçoando ao mundo moderno, e também passou a ser praticado de outras formas, como o registrado em Cândido Mota (SP), que abrange a Delegacia Seccional de Assis (SP), região do Deinter-8. 


Polícia Civil - Operação resultou em apreensão de dinheiro na casa da investigada

Denunciada por série de crimes

Na segunda-feira, policiais civis prenderam uma mulher de 47 anos por uma série de roubos ocorridos nos últimos meses. De acordo com o delegado titular Gustavo Siqueira, a investigação identificou que a acusada dopava as vítimas antes de praticar os crimes.

Na sexta-feira, a prisão foi convertida em preventiva, e a investigada denunciada pelo MPE (Ministério Público Estadual) por quatro roubos, sendo que outros que estão em apuração. 

O delegado explica que ela se aproximava das vítimas por meio das redes sociais. Depois de criar uma certa intimidade com os alvos, ela os convidava para tomar uma refeição em sua residência. Era nesta oportunidade em que colocava medicamentos nas bebidas das vítimas, que acabavam adormecendo e só acordavam depois de terem sido roubadas.

Com cartões e senhas bancárias, a mulher comprava eletrodomésticas e móveis para a casa. 

“Tivemos a ciência do primeiro fato em fevereiro do ano passado, através de um boletim de ocorrência registrado no plantão de Marília (SP). O fato inusitado nos chamou bastante a atenção”, afirma o delegado. A vítima foi um homem daquela cidade que conheceu a acusada pela internet, e a visitou em Cândido Mota. Depois de oferecer um copo d´água, ela o convidou para ir ao mercado, mas o homem ficou sonolento e decidiu não ir. Conforme a polícia, ele conta que perdeu os sentidos e acabou dormindo dentro do carro.

Ao sentir falta do dinheiro, chegou a acusá-la de roubo, mas ela negou. “Ele dormiu na rua das 14h às 21h, até que na frente da casa onde ele parou, chamou uma pessoa para acompanhar novamente até a casa dessa mulher para entender a situação, mas ela novamente negou”, relata o delegado.

Além da primeira vítima identificada, com o passar dos meses a Polícia Civil tomou conhecimento de outros casos semelhantes, com o mesmo modus operandi. Um deles, inclusive, envolveu vizinhas da investigada que foram dopadas e roubadas depois de tomarem um café da tarde com ela. 

Em busca de mais vítimas

Após a colheita das informações, foi instaurado o inquérito policial e depois de reunidos elementos suficientes houve a representação perante o Poder Judiciário para a decretação da prisão temporária, mandado de busca e apreensão domiciliar e, ainda, penhora e arresto nos ativos financeiros referentes a eventuais contas bancárias em nome da investigada. 

“Apreendemos uma série objetos, como sofá, dois televisores, rack, estantes, eletrodomésticos em geral, e uma quantia pequena que ela dispunha no momento e que também vinculamos ao procedimento de investigação”, explica Siqueira.

Mesmo após a prisão, as investigações continuam e Polícia Civil trabalha para identificar novas vítimas.

As denúncias podem ser feitas diretamente na delegacia por meio do (18) 3341-1414 ou (18) 3341-1311. 


Polícia Civil - Dinheiro era utilizado para comprar eletrodomésticos e móveis para a casa

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