Costumam dizer: “As uvas estão verdes”. Você conhece a fábula? Todo mundo conhece, mas como estamos vivendo uma era em que educação e cultura estão à beira do abismo, pode ser que ninguém lhe tenha contado.
É a história de uma raposa que sob uma parreira com lindos cachos de uva, tentava pegar um deles para comer. Mas estavam altos demais e por mais que pulasse não a alcançava. Desistiu, dizendo: “Não faz mal, elas estão verdes, mesmo...”
É possível que você veja alguma relação entre o que vou dizer e essa fábula, mas garanto-lhe que não. Não tem nada a ver.
Vi um vídeo em que o autor diz coisas razoáveis e que vou incrementar com meus pensamentos. Começa dizendo que tanto faz você usar um relógio de 300 dólares, 30 dólares ou olhar para um na torre de uma igreja, a hora é a mesma. Diz que tanto faz você tomar um vinho de 500 reais ou 20 reais, a garrafa, a ressaca é a mesma; que você pode morar em uma mansão de 15 milhões de dólares ou em uma casa de 600 mil reais... A solidão será a mesma e os amigos que visitarão a casa serão mais sinceros do que os que visitarão a mansão.
Eu, como não troco uma caipirinha por qualquer bebida que se me apresentem, concordo com isso. Prefiro uma costelinha suína a caviar.
Agradeço, todas as noites, a Deus, pela cama que me acolhe. Deito-me, durmo tranquilo e levanto-me satisfeito. Um morador de rua pode sentir a mesma coisa que eu, ou melhor, se tiver um cantinho bem forrado com papelões, um cobertor que o agasalhe bem e sua consciência for tranquila. Um político em sua mansão, também, se for honesto e tiver consciência. Tudo é relativo.
Tudo tem um limite. O nosso gosto gastronômico, o nosso conforto, tudo.
Meu cunhado costumava dizer: “Se você andar, na chuva, você se molha. Se você correr, se molha e cansa!”. Verdade. Porque molhar-se tem um limite.
Como é que você mora? Tem piscina? Churrasqueira? Sistema de som? Bebida à vontade? Recebe sempre? Quantos amigos de verdade o visitam? E como vive, por dentro?