A história da Irmã Marta no Lar São Rafael não começou com a sua chegada a Presidente Prudente, mas em 1974, em Medellín, na Colômbia. Naquele ano, durante a canonização de Santa Teresa Jornet, a jovem que um dia temeu a vida missionária nas selvas encontrou seu verdadeiro chamado: o cuidado com os idosos. Nem mesmo a resistência inicial do pai, que relutava em ver um de seus 14 filhos seguir a vida religiosa, impediu que ela abraçasse a "felicidade da vocação".
Aos 67 anos, após décadas de serviço na Argentina e na Espanha, a nova Madre Superiora enfrentou um desafio inesperado: o convite para o Brasil. "Eu tinha medo do Brasil por causa do idioma", confessa com sinceridade. "Disse à Madre Geral que já era uma pessoa maior, mas decidi não ser negativa. Disse ao Senhor: 'Eu vou, Ele vai me guiar'". O medo, no entanto, dissolveu-se logo no desembarque. A acolhida da comunidade prudentina foi tão calorosa que a Irmã sente-se como se "toda a vida tivesse vivido aqui".
O MURO E A URGÊNCIA: SEGURANÇA PARA O CONVÍVIO
Embora tenha chegado com o espírito pronto para o carinho, a realidade prática da gestão impôs desafios imediatos. Durante uma noite recente, a segurança do Lar foi posta à prova quando um suspeito em fuga pulou o muro da instituição. O episódio marcou as orações matinais da Madre.
"NÃO VOU SER NEGATIVA. SE É DE DEUS, EU VOU. ELE VAI ME ENSINAR E VAI SER ELE O QUE VAI ME GUIAR, NÃO VAI SER EU"
Irmã Marta, Madre Superiora
"Estava rezando e a ideia não saía da cabeça: temos que arrumar o muro", relata. A estrutura atual, considerada baixa, tornou-se a prioridade número um da nova gestão. Para a Irmã Marta, a segurança física é o primeiro passo para garantir a paz espiritual dos idosos. "Nossa missão é salvar os corpos para salvar as almas. O idoso precisa estar bem cuidado e sem privações materiais para que, naturalmente, ele busque a Deus", explica.
O PATRIMÔNIO DA SOLIDARIEDADE PRUDENTINA
Ao assumir o Lar São Rafael, uma das instituições mais históricas da cidade, Irmã Marta percebeu rapidamente que o maior patrimônio do asilo não são as paredes, mas o compromisso da população. Para ela, as necessidades da terceira idade são universais — a luta contra a sensação de ser "descartável" —, mas o jeito prudentino de ajudar é especial.
"Vejo o povo de Presidente muito comprometido. Todos querem aportar seu grãozinho de areia", observa. Questionada sobre como a comunidade pode ajudar em sua nova fase, a madre é enfática na simplicidade: "Não exigimos nada. O que cada um puder e o que sair do coração é bem-vindo".
Para a Irmã Marta, o asilo não é um local de espera, mas um centro de convivência ativa e uma preparação digna para a vida definitiva. Com a coragem de quem trocou o espanhol pelo português tardiamente, ela agora convida a cidade a continuar sendo o braço forte que sustenta o lar de tantos avôs e avós.
COMO AJUDAR O LAR SÃO RAFAEL?
A instituição permanece aberta a doações de alimentos, produtos de higiene, recursos financeiros para a reforma do muro e, acima de tudo, tempo e carinho dos voluntários.

MADRE MARTA, NOVA SUPERIORA DO LAR SÃO RAFAEL E IRMÃ MARIA, CUIDADORA DOS IDOSOS