Galo de Briga

O Espadachim, um cronista a serviço do Brasil

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 02/07/2020
Horário 05:00

Todo mundo do vilarejo sabia que todo sábado à tarde havia rinhas de galos em uma chácara localizada no arrabalde conhecido como Bafo da Onça, nome dado em alusão aos cachaceiros do pedaço. Eram apreciadores da pinga boa e, claro, das brigas de galos.

Uma vez - e só uma vez - promoveram uma luta inusitada: um galo índio, de ao menos cinco quilos, contra - vejam só! - um galo garnisé, desses pequenininhos, parecendo o PIB do Brasil neste e nos anos vindouros (repito: adoro esta palavra).

"Coitado do galinho! Será massacrado", previu um apostador, ao que outro emendou com fina ironia: "Nocaute na primeira bicada. O garnisé vai levar uma baita surra". Outro gaiato, que apostou no galo índio, também palpitou: "Golias contra Davi, mas desta vez o gigante vencerá".

Centenas de marmanjos, quase todos bêbados, assistiram a luta, tida, como já foi dito, inusitada. Onde já se viu tamanha barbaridade? Era barbada. Ou barba, cabelo e bigode a favor do galo índio. Alguém sugeriu o cancelamento do combate e foi mais vaiado do que o Mito Messias quando faz lives.

O pessoal queria ver sangue e cristas inchadas. Aí começou a rinha. Senhor da arena, o galo índio partiu para o ataque. Mais acuado do que o advogado Frederick Wassef, o galo garnisé ficou em seu canto. Tentou evitar as bicadas do adversário, mas não deu certo.

Foi aí que o galinho adotou uma estratégia surpreendente para salvar sua vida. Ele se afastou um pouco, deu umas riscadas no chão e fez um voo rasante, o chamado voo de galinha, e foi na direção do galo índio. E a senhora quer saber o que aconteceu?

Com seu bico pequeno e afiado, o garnisé furou - isto mesmo: furou - o pescoço do galo índio, que sentiu o golpe, quer dizer, a furada. Surpresa geral na plateia. E não parou por aí.

Àquela altura do campeonato, no caso, da rinha, a situação era favorável ao galinho. Parece que ele sabia disso. O garnisé alçou outro voo - de galinha, repito - e furiosamente atacou o "galão", que teve um olho furado. Em novo ataque, ele perdeu o outro olho e ficou cego.

Aí a briga ficou fácil para o garnisé, que saiu vencedor. O galo índio por pouco não bateu as esporas e as penas. Vitorioso, o garnisé foi carregado no ombro por seu dono, um anão que ganhou uma boa bolada naquela tarde de sábado friorenta. Soube-se depois que ele também era treinador do galinho bom de briga.

 

DROPS

 

Bolsonaro precisa se benzer: nem cachorro adotado dá certo em seu governo.

 

Decotelli, o que foi sem nunca ter sido.

 

Ministra Weber, como todo respeito, quem furta um xampu deve ser condenado a lavar os cabelos.

 

Estamos todos na mesma chalana. Será

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