Hoje cada dia mais as pessoas estão envelhecendo e vivendo mais. Nem sempre com qualidade. Muitos idosos passam dos 80 ou 90 anos, com quatro ou cinco filhos já criados, às vezes dez ou mais netos e bisnetos, mas agora vivem num pequeno quarto de dez metros quadrados escuro e sem ventilação.
Já não possuem mais casa, estão com algum filho, nos fundos, e também já não possuem suas coisas amadas, pois o espaço é pequeno.
Já perderam o prazer de arrumar seu quarto, sua cama, de se maquiarem, de se olhar no espelho e ver que o tempo passou. Perderam a capacidade de cozinhar e de comer, pois vem tudo numa marmita.
Nem sempre aparece alguém para verificar e controlar a pressão ou a glicemia. Perguntar se está com dor nas articulações, coluna, joelhos...
O sorriso espontâneo se apagara. Não tem mais as risadas dos filhos e nem dos netos, já que não mais os vê crescer, abraçar e brigar; visto que alguns deles nem sempre o visitam, quem sabe só no aniversário, Natal ou feriado.
Ainda alguns idosos têm um passatempo, dominó, mas sem parceiro, ou para fazer como palavras cruzadas, mas a vista não consegue mais ver nitidez e há escuridão. Muitos idosos se perguntam quanto tempo de vida ainda resta.
É preciso acostumar-se com essa tristeza e solidão já que fazer terapia ocupacional poderia ajudar, mas não há ninguém que ajude.
Alguns idosos ouvem que a vida é cada vez mais longa e se perguntam se vale a pena ficar sozinhos, olhando para as poucas fotos da família e algumas memórias antigas para sentirem que ainda estão vivos.
Como profissional que cuida dos idosos, espero que as próximas gerações de filhos e netos entendam que a família se constrói para ter um amanhã e retribuir aos nossos pais com o tempo que nos presentearam para nos criar.