Menino prodígio de Presidente Prudente é co-autor de livro do astronauta Major Pontes

SINOMAR CALMONA

Aos 11 anos, Miguel Rosa dos Santos é superdotado, autista e membro de duas sociedades de alto QI; dois exemplares da obra foram entregues a ele em sessão especial no Senado

COLUNA - Sinomar

Data 12/05/2026
Horário 06:15
Aos 11 anos, Miguel co-assina obra inédita do Major Pontes, o astronauta brasileiro
Aos 11 anos, Miguel co-assina obra inédita do Major Pontes, o astronauta brasileiro

O papel ainda cheirava a tinta fresca quando Miguel Rosa dos Santos abriu o envelope. Dentro, duas coisas: o livro e uma carta. A carta vinha assinada por um homem que já flutuou a 400 quilômetros da Terra. O livro trazia, impresso, o nome do menino como coautor.
Miguel tem 11 anos. Mora em Presidente Prudente. E, nesta semana, tornou-se talvez o mais jovem colaborador de uma obra sobre a corrida espacial brasileira.
“Bastidores da Missão Centenário — relatos inéditos da primeira missão espacial brasileira” ganhou um sobrenome de peso. Mas não veio de engenheiros da Nasa ou generais da Aeronáutica. Veio de um garoto autista, superdotado, que aprende equações enquanto outros meninos aprendem amarrar o cadarço.

99,1802% DE INTELIGÊNCIA E 100% DE CORAGEM
O cérebro de Miguel funciona como um microscópio apontado para o que os outros ignoram. Diagnosticado com transtorno do espectro autista e altas habilidades, ele não apenas decora — ele compreende. E não apenas compreende — ele conecta.
Aos 11 anos, já é membro da Mensa Brasil e da IIS (Infinity International Society). Para entrar nestes dois clubes restritos de alto QI, é preciso estar entre os 1% mais inteligentes do país. Miguel superou a faixa: alcançou percentil 99,1802 em teste padronizado validado pelo Conselho Federal de Psicologia.
Enquanto a média da população fica em torno de 100 pontos, Miguel opera em outro patamar. A mãe resume sem falsa modéstia: “Ele integra o 1% da população brasileira com capacidade extraordinária”.
Números, porém, não bastam para explicar o que veio depois.

A CARTA QUE VEIO DO ESPAÇO (EM FORMA DE GRATIDÃO)
O clímax emocional desta história não tem foguete nem contagem regressiva. Tem uma mesa, uma cadeira e um envelope.
No dia 30 de março de 2026, no Plenário do Senado Federal, oito anos depois de Miguel aprender a ler, o astronauta Marcos Pontes subiu à tribuna para celebrar os 32 anos da Agência Espacial Brasileira e os 20 anos da Missão Centenário. Mas foi depois da sessão que o gesto concreto aconteceu.

PONTES ESCREVEU AO MENINO:
“É com grande satisfação que me dirijo a Vossa Senhoria para agradecer sua valiosa contribuição por meio de depoimentos que enriquecem de forma significativa o conteúdo da obra. Sua participação agrega não apenas conhecimento, mas também sensibilidade e autenticidade aos relatos apresentados.”
Em anexo, dois exemplares do livro. Um para Miguel. Outro para ele presentear alguém.
A imagem é pequena, mas pesada: o primeiro astronauta brasileiro reconhecendo, em letras de forma, que um menino autista de Presidente Prudente ajudou a escrever a memória espacial do país.

O QUE FICA QUANDO O FOGUETE POUSA
O desfecho, felizmente, ainda está sendo escrito.
Miguel continua estudando. Continua sendo criança — embora sua linha de raciocínio insista em pular anos-luz à frente dos colegas. E continua, segundo a mãe, cheio de perguntas que a maioria dos adultos não sabe responder.
Pontes, por sua vez, já sinalizou disposição para novos projetos conjuntos. A frase final da carta diz muito: “Renovo meus agradecimentos e coloco-me à disposição para continuarmos trabalhando juntos em prol do desenvolvimento”.
Não foi um agradecimento seco. Foi um convite.
E assim, entre um capitão que já viu o planeta sem fronteiras e um garoto que enxerga padrões onde só há caos, nasce uma parceria improvável. Talvez a mais simbólica da nova geração científica brasileira.
O próximo capítulo ainda não foi escrito. Mas já tem coautor.


 

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