Renegociar é recomeçar

EDITORIAL -

Data 21/02/2026
Horário 04:15

O Brasil é marcado por desigualdades sociais e por recorrentes crises econômicas. Assim, o endividamento de famílias não pode ser tratado apenas como inadimplência fria nos números. Por trás de cada conta atrasada, especialmente as essenciais, como água e energia, existem histórias de desemprego, doença, queda de renda e tentativas diárias de manter o básico funcionando. É nesse contexto que iniciativas de renegociação ganham um papel social que vai muito além da arrecadação.
A decisão da Sabesp de estender até 28 de fevereiro a campanha “Acertando suas contas com a Sabesp” é um exemplo concreto de sensibilidade e responsabilidade. Ao oferecer descontos de até 80% sobre o valor principal da dívida, além da isenção total de juros e multas, a companhia cria uma ponte entre quem deve e quem precisa receber, sem sufocar o consumidor nem comprometer a sustentabilidade do serviço.
O programa traz condições práticas e acessíveis. Pagamento à vista via pix, parcelamento em até 24 vezes no cartão de crédito para clientes residenciais e até 36 parcelas no boleto para famílias enquadradas na tarifa social ou em situação de vulnerabilidade. São medidas que reconhecem realidades distintas e ampliam as chances de regularização.
O ganho é coletivo. As famílias têm a oportunidade de colocar as contas em dia, recuperar a tranquilidade e seguir adiante com a consciência limpa. A empresa, por sua vez, reduz a inadimplência e garante o recebimento de valores que, sem esse tipo de incentivo, dificilmente retornariam aos cofres. É um ciclo virtuoso que beneficia todos os envolvidos.
Esse tipo de ação deveria inspirar outras instituições e concessionárias. Muitas já adotam programas semelhantes, mas ainda há espaço para ampliar, facilitar e humanizar os processos de renegociação. Contas essenciais não podem se transformar em um peso permanente ou em motivo de exclusão.
Renegociar dívidas é, acima de tudo, oferecer um recomeço. Quando há diálogo, flexibilidade e responsabilidade social, todos ganham: o cidadão, o serviço público e a sociedade como um todo.
 

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