Saúde, economia e cidadania. Em um primeiro momento, parece que os temas acima não se correlacionam. No entanto, geralmente na vida, o inesperado impacta muito mais do que aquilo que é cotidiano, e é por conta disso que fica difícil refletir que a dengue, além da saúde, possa estar relacionada com economia e cidadania.
Na pandemia da Covid 19, milhões de brasileiros adoeceram e/ou morreram em 2020. A economia andou para trás e teve queda de 4,8% no PIB per capita do brasileiro. Naquele ano, a cidadania teve que trocar o direito de ir e vir pelo acatamento do isolamento, visando o bem comum.
Já com a dengue, isso não ocorre, pois ela está naquilo de que denominamos de normose (conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda do sentido da vida, conforme Jean-Ives Leloup).
Todos os anos convivemos com pessoas adoecendo, algumas morrendo, muitas sendo internadas, trabalhadores deixando de ser produtivos e as pessoas acumulando objetos inservíveis (lixo) ou deixando de ter os devidos cuidados na sua casa ou no trabalho.
Afinal, o pensamento dominante “era” de que a dengue existe pela sujeira na casa do vizinho, do lixo acumulado no quintal do outro, pela incompetência do poder público e até mesmo “pela vontade do Criador”. Mas nunca pela responsabilidade de cada um de nós.
Felizmente, em 2025 tudo isso mudou. No final de 2024, o poder público municipal buscou interlocução com a UEPP (União das Entidades de Presidente Prudente e Região) e juntos patrocinaram a campanha denominada: Juntos na Guerra contra a Dengue.
O apoio financeiro de entidades privadas, como Unimed de Presidente Prudente, Grupo Lidera, Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Rotary Clubs e Prudenco (Companhia Prudentina de Desenvolvimento), se juntou aos recursos públicos por meio da Secretaria da Saúde e, com a Vigilância Epidemiológica Municipal, garantiram o êxito da campanha.
No aspecto educacional, foram feitos bloqueios no trânsito e ainda está sendo feita a distribuição de mais de 80 mil panfletos, alertando sobre a responsabilidade de cada um e das medidas que todos podemos e devemos ter para eliminar os criadouros.
Em termos operacionais, no mês de novembro, antes das chuvas de verão, foi realizado Mutirão de Limpeza Contra a Dengue. Nessa ação, houve a contratação de mais de 100 caminhões-caçamba que, juntamente com dezenas de agentes sanitários da Vigilância Epidemiológica e centenas de trabalhadores braçais, fizeram a limpeza dos bairros com maior quantidade de criadores do mosquito.
Ao final, foram realizadas 264 viagens de caminhão entre os bairros da cidade até a área de descarte, com retirada estimada em mais de 250 toneladas de inservíveis. Graças a esse esforço gigantesco, a comunidade prudentina teve um mês de dezembro tranquilo em termos de dengue e hoje assistimos uma queda vertiginosa nos índices da doença (historicamente a menor incidência da dengue no mês de janeiro).
No ano de 2025, Presidente Prudente teve 27.605 casos confirmados e 24 mortes; e já no primeiro trimestre, a Prefeitura decretou emergência na saúde. Face ao grande número de casos, criou estruturas de apoio para poder fazer frente ao elevado número de doentes. Já em 2026, até o dia 23 de fevereiro, somente tivemos quatro casos confirmados, 903 notificados e nenhuma morte.
Em se tratando da dengue, fica claro que quando a população adoece, além dos custos com a assistência à saúde, existe um custo econômico significativo, seja no quesito horas trabalhadas, absenteísmo, queda na produtividade ou prejuízo no exercício da cidadania. Isso demonstra que parcerias entre o poder público e agentes da iniciativa privada são úteis para solução dos inúmeros problemas que afetam a nossa cidade e região.