Nasci em junho de 1961, mês dos namorados e das festas juninas! Eta, mês bão demais, minha gente! Junho mistura romance com quentão. No Brasil, a gente comemora dia 12 - véspera de Santo Antônio, o santo casamenteiro - Dia dos Namorados! Já no dia 13 de junho, é dia dele, “Façam suas preces e receberás”, com toda a certeza. A tradição diz que solteiras colocam o santo de cabeça para baixo, até arrumar namorado.
Dia 24 de junho é o Dia de São João, tem fogueira, fogos e quadrilha. É muito festejado. Dia 29 de junho é o Dia de São Pedro, que tem a chave do céu, protetor das viúvas e das chuvas. Estou em festa! Meu aniversário cai bem no meio do Arraiá: passou Santo Antônio dia 13, e já está no esquenta pra São João, dia 24. E ainda no início do inverno. Solstício no hemisfério sul acontece pertinho do dia 21. Dia mais curtinho do ano, mas com a festa mais animada.
Pensando aqui nos meus 65 anos de vida, chego à conclusão de que namorei comigo mesmo primeiro, para depois namorar e casar. Eu basicamente descobri que amor-próprio não é clichê, é pré-requisito. Jô Soares já dizia: “A melhor maneira de ser feliz com alguém é aprender a ser feliz sozinho. Daí a companhia será questão de escolha e não de necessidade”. Só dá para dividir a vida, quando a sua já está inteira.
Somos em oito irmãos e uma adotiva, houve uma hora que comecei a me procurar. O autoconhecimento é algo que nos sustenta subjetivamente. Aprendi a me apreciar e me cuidar. Só depois disso eu tive espaço para amar alguém de verdade e pensar em casar-me. Antes de dizer sim para alguém eu disse “sim” para mim. Casar-se com outro só faz sentido após casar-se com a sua própria história. Relacionamento bom não são duas metades que se completam. São dois inteiros que escolhem caminhar juntos.
Então primeiro eu me inteirei. Só quando minha casa ficou inteira por dentro, eu abri a porta. Fiz igual festa junina: arrumei minha barraca, acendi minha fogueira, fiz meu quentão. Só depois chamei alguém para dançar quadrilha comigo para o resto da vida. E sabem como chama esse alguém? Antônio! Meu querido Santo Antônio, obrigada pelos meus 65 anos. Sinto-me viva e repleta de sonhos.
Antes de pedir um amor, eu aprendi a me amar. Namorei comigo primeiro para conseguir ser mãe inteira para os meus três filhos. Conheci meus silêncios, dancei sozinha na cozinha e depois dancei carregando-os no colo. Os amores e as dores transformaram-se. Cuidei das minhas dores, não somos perfeitos. As intempéries ou turbulências nos afinam lentamente durante o nosso percurso. E aí sim fez sentido dividir a fogueira, o quentão e a vida. Hoje eu celebro não só a idade, mas a paz, a realização dos sonhos, minhas conquistas e poder viver bem com todas as minhas escolhas. Gratidão!