“Antes de iniciar um projeto verifique se os recursos disponíveis são suficientes”
Ele vinha, há dias, sentindo-se por demais estressado, a ponto de adquirir uma formidável gastroenterite. Dessas que não avisam e nem pedem licença. Geralmente acontece em ônibus, elevador, entrevista, igreja na hora da homilia...
Precisava ir ao centro da cidade resolver um problema inadiável. Foi. Claro que você sabe que foi quando a dor de barriga deu o ar da graça. Ah, mas desta vez a sorte sorriu para ele, pois logo ali havia aqueles toilettes públicos com quatro ou cinco privadas enfileiradas, paredes-meias um tanto acima do piso permitindo aos curiosos verem os pés de quem as ocupam. Entrou apressado, desapertando o cinto, baixando as calças e... ahhhh! Sentiu-se leve e aliviado. Já calmo olhou em volta à procura do suporte de papel-higiênico. Não tinha. Nem suporte, nem papel higiênico. Olhou pelo chão à procura de um pedaço de jornal ou revista. Nada. Procurou nos bolsos e nada. Pressentiu que havia alguém na privada pegada à que estava. Esforçou-se e viu os pés da pessoa. Bateu na parede:
- Amigo... tem papel higiênico aí? – perguntou.
–Hiii, cara, não tem... – foi a resposta.
Nessas horas tem-se que apelar para o plano “B”.
– Nem um pedaço de jornal?
– Não!
Falhou o plano “B”. Então usar-se a imaginação.
– Será que você pode me emprestar seu lenço? Estou sem...
E o cara, já irritado:
- Que qué isso, cara... se eu tivesse lenço eu usava ele, meermão!.
Sentiu que a casa havia caído... Não poderia sair dali sem resolver o problema. E o tempo passava. E a hora do compromisso chegando.
Apalpou os bolsos novamente e viu que não tinha nada que substituísse o papel higiênico ou o lenço.
Ah, encontrou algo, tirou, era uma nota de dez reais!
Bateu novamente na parede:
- Desculpa, cara, mas será que você tem duas de cinco?