A Copa já começou 

Giselle Tomé

CRÔNICA - Giselle Tomé

Data 04/06/2026
Horário 06:00

Há algum tempo, Presidente Prudente está diferente. Pontos “verdes e amarelos” surgiram em shoppings, praças, bancas, escolas e tantos outros lugares. Sim, o impresso ainda faz sucesso. Os pontos de troca de figurinhas se transformaram nos novos locais de encontro, reunindo amigos, familiares e até desconhecidos com um objetivo em comum: completar o álbum da Copa do Mundo.
Muitos ainda não se empolgaram com a seleção brasileira. Alguns questionam os convocados, outros não acreditam que o time possa chegar tão longe. Mas há algo impossível de negar: a Copa mexe com a nossa rotina. 
Outro dia, em casa, ouvi uma conversa na sala que me chamou a atenção: 
— Você viu, amiga? O Memphis Depay está na seleção do país dele.
Do outro lado veio a resposta:
— Que Memphis?
— O do Corinthians, ué! Você não é corintiana?, questionou, indignada.
A conversa seguiu.
— Aqui em casa já estamos quase completando o álbum.
— Nossa, parabéns! Que incrível, ainda estamos no começo. 
O relato é apenas um trecho do diálogo entre duas crianças de 9 anos, mas talvez essa conversa nem existisse sem a Copa, sem o álbum e sem os jogadores representando seus países e despertando a curiosidade sobre o futebol, os continentes, as culturas e as bandeiras espalhadas pelo mundo.
Colecionar figurinhas é muito mais do que preencher espaços vazios. É viver a expectativa da próxima compra, a alegria de encontrar uma rara e a ansiedade pela última que falta para completar a coleção.
É bonito ver filhos, pais, avós, tios e amigos reunidos em torno de uma mesa ou de um ponto de troca, discutindo jogadores, seleções e resultados. Afinal, se existe uma profissão que todo brasileiro acredita exercer bem, é a de técnico de futebol.
Sempre há alguém que teria convocado outro jogador, que acha que determinado atleta é "cai-cai" ou que o esquema tático está errado. E foi assim com o “menino Ney”. Muitos diziam que não o queriam na seleção, mas bastou a convocação ser anunciada para que a comemoração fosse quase como um título. 
Talvez seja esse o espírito da Copa: acreditar desacreditando. É o famoso "vai que". Vai que dá certo. Vai que o time encaixa. Vai que a taça vem. E, se vier, que maravilha!
Daqui a pouco, as seleções entrarão em campo e as diferentes histórias sobre esse universo invadirão nossas casas. Servirão de tema para discussões acaloradas sobre os placares e também serão motivo para reunir amigos diante da televisão. Aos poucos, os que diziam que nem ligam para os jogos estarão perguntando quando será o próximo, vestindo a “amarelinha” e torcendo pela classificação.
Quando o campeonato acabar, o álbum ficará guardado em alguma estante e a Copa 2026 será apenas uma lembrança, mas suspeito que o mais importante não estará naquelas páginas já cheias de orelhas de tanto manuseio. 
Estará, por exemplo, na conversa inocente de duas meninas sobre o Memphis, nas negociações feitas nas bancas, nas trocas apressadas entre uma aula e outra, nos pais procurando a figurinha que faltava e nos avós tentando entender quem eram aqueles jogadores de nomes difíceis. 
A bola ainda nem rolou, mas as histórias já começaram. E, quando o apito final soar, talvez sejam elas, mais do que os gols, que permanecerão vivas na memória de muitos.

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