Cinquenta e um por cento dos donos de micro e pequenas empresas acham que o fim da escala 6x1 não vai impactar seus negócios.
Esse é o dado que mais me preocupa nessa discussão toda. Não porque a mudança seja pequena. É porque o empreendedor não está enxergando o tamanho do que vem aí. Quando perceber, a lei já passou.
Os números que ninguém põe no discurso bonito: a CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima um custo de até R$ 267 bilhões por ano para as empresas. A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) fala em 21% de aumento nos custos da folha. São 31,5 milhões de trabalhadores afetados, e quem paga a conta são as pequenas empresas, que concentram 52% do emprego formal. No varejo, 93% dos contratos passam de 40 horas semanais.
Hoje, contratar alguém já custa 70% a mais que o salário na carteira. A carga tributária bateu recorde em 2025: 32,4% do PIB (Produto Interno Bruto). Não tem mais margem.
Mas o que mais me incomoda não é número. É o silêncio do empresário.
O cara trabalha 12, 14 horas por dia. Quer pagar mais para quem trabalha com ele. Só que toda vez que tenta, aparece alguém criando mais uma barreira. E esse alguém quase sempre é um político atrás de voto.
Tem outra coisa que ninguém está discutindo: quando o custo de manter gente sobe demais, o empresário automatiza. O garçom, por exemplo. Profissão valorizada no Brasil, gente atendendo gente. Mas quando fica caro demais, o dono do restaurante troca por totem, cardápio digital, QR code na mesa. A SBVC diz que empresas com autoatendimento cortaram 25% dos custos com pessoal. O discurso que promete proteger o trabalhador vai acabar tirando o emprego dele.
No fim, o aumento de custo empurra gente para a informalidade e acelera a troca de pessoas por máquinas. E o trabalhador que dizem proteger? Perde a chance de construir patrimônio.
Não é novidade. Em 1988, a última redução de jornada levou o desemprego de 8,7% para 19,9% em dez anos.
O brasileiro gosta de dizer que se adapta a tudo. Que sempre dá um jeito. Isso tem que acabar. Dar um jeito não é plano. Enquanto o empreendedor fica quieto achando que não vai ser atingido, outros estão decidindo o futuro do negócio dele.
Se você é empreendedor, não é hora de ficar calado.