A educação do presente e do futuro

OPINIÃO - Danielle Santos

Data 21/05/2026
Horário 05:00

Neste ano de 2026, entre as principais temáticas sociais emergentes que têm grande influência na educação como a Inteligência Artificial, Copa do Mundo, guerras e multilateralismo/multilinguismo, está a temática da computação.
No Brasil, essa temática passará a ser um conteúdo estruturante na educação básica brasileira. De acordo com a Fundação Leman, o Complemento da Computação homologado em 2022 na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) - que é o documento que estabelece como os currículos das escolas de educação básica de todo o país devem organizar os seus conteúdos - deve ser ajustado para contemplar de forma obrigatória, a partir de 2026, os três eixos: Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital.
Embora em linhas gerais recomende-se uma mudança curricular, essa mudança implica em necessidade urgente e presente de um reposicionamento das escolas, que como parte estruturante da nossa sociedade, recebe em seu contexto estudantes e professores profundamente influenciados e imersos nas tecnologias digitais.
O primeiro ponto que deve ser destacado é que para ensinar computação não é necessário ensinar a programar. Ou seja, professores e professoras de educação infantil, hoje formados em cursos de Licenciatura na área de Ciências Humanas não só podem como devem desenvolver competências para ensinar computação, por meio do chamado "pensamento computacional", que nada mais é do que a capacidade que qualquer pessoa pode ter, independente da sua área de formação ou de atuação, de decompor problemas, identificar padrões, formular soluções e expressá-las de maneira lógica.
O pensamento computacional extrapola o universo da informática à medida que faz parte da alfabetização e dialoga diretamente com a matemática, as ciências, a linguagem e a vida cotidiana. Nesse sentido, alinhar a escola às demandas contemporâneas e levar essa demanda para a formação de professores e para a educação desde a infância, é possível e louvável.
Pensemos juntos: vivemos um momento em que os algoritmos influenciam decisões, dados orientam políticas públicas e plataformas digitais moldam comportamentos. Quem nunca falou (ou até pensou) sobre um determinado assunto e algum tempo depois foi bombardeado por propagandas sobre o mesmo assunto nas redes sociais? Quem nunca comprou um produto (mesmo não precisando) só porque apareceu diversas vezes no seu feed? Quem nunca pensou em acatar a opinião de uma figura pública por causa de um vídeo compartilhado em seu WhatsApp, sem a devida verificação da veracidade dos fatos? E quem não se sentiu tentado a pedir para a IA Generativa escrever algum conteúdo porque estava cansado demais pra pensar?
Diante de todos esses fatos, preparar os estudantes para compreender esse cenário é condição essencial para o exercício pleno da cidadania. Há dificuldades enormes de prever quais profissões sobreviverão ao futuro, mas um consenso é que, para sobreviver ao futuro, o ser humano deve fortalecer ainda mais a sua capacidade de interpretar criticamente o mundo digital em que está inserido.
Considerando tudo isso, agora é a hora de Estados e municípios proporem e testarem a adoção de diferentes formatos da temática no currículo: seja em disciplinas específicas ou abordagens transversais. E assim, independentemente do formato escolhido, os objetivos de aprendizagem poderão ser efetivamente alcançados. As possibilidades pedagógicas são inúmeras, e isso me anima muito! 
No eixo do pensamento computacional, atividades que envolvem desde jogos de lógica até projetos interdisciplinares que utilizem resolução de problemas reais podem ser propostos. Na cultura digital, a discussão de temas urgentes, como desinformação, privacidade, segurança online e ética no uso das tecnologias é muito pertinente. Já no campo do mundo digital, todos podemos aprender sobre como funcionam os sistemas que utilizamos diariamente, do aplicativo de mensagens às redes sociais.
A implementação bem-sucedida dessa política depende de um fator central: a formação de professores. Então, para as universidades, o alerta: formar professores em todas as áreas que sejam capazes de trabalhar com o tema. Seria muito ingênuo supor que a simples inclusão do componente curricular garantirá a sua efetividade.
A maioria dos professores que hoje atuam na educação básica até o ensino superior, não teve em sua formação nenhum contato com esses conteúdos. Por isso, mudar o currículo da formação inicial e investir em formação continuada, materiais didáticos de qualidade e infraestrutura adequada será decisivo para evitar que a proposta fique apenas no ideal.
Por isso, é fundamental que o ensino da computação não reproduza as muitas desigualdades já existentes em um país marcado por disparidades regionais e sociais. O acesso aos recursos tecnológicos ainda não é equânime. Apesar dos desafios, a obrigatoriedade da computação na educação básica representa uma oportunidade histórica. Assim como a alfabetização tradicional foi essencial para a participação na sociedade letrada, o domínio das competências digitais se torna cada vez mais indispensável para um mundo que está por vir. Cabe à escola não apenas acompanhar essa transformação, mas liderá-la de forma crítica, inclusiva e significativa. O sucesso dessa iniciativa dependerá de como será a implementação no cotidiano escolar.
Já que o desafio está lançado e o futuro digital dos estudantes brasileiros também, que tal começarmos a conhecer alguns recursos que apoiam essa iniciativa? A Plataforma Be Active, desenvolvida na Unoeste, é um ambiente inédito com questionários, diagnósticos, metodologias ativas e apoio de IA, para acesso gratuito. Clique em: www.beactive.com.br  faça o seu cadastro e descubra as muitas possibilidades de uso de tecnologias digitais.
 

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