A escola a céu aberto

Roberto Mancuzo

CRÔNICA - Roberto Mancuzo

Data 21/04/2026
Horário 06:00

Sabe aquela expressão “treino é treino, jogo é jogo”? Pois é, agora é jogo. 
E fico ali, de longe, observando. 

De um lado, os calouros do primeiro ano. Chegam assustados, mas com aquele brilho nos olhos típico. Seguram a primeira credencial da vida de jornalista como se fosse um documento histórico. Fazem perguntas simples, às vezes até meio tortas, mas com uma vontade que dói de tão genuínas. Depois, erram na ortografia, esquecem de anotar o nome completo da fonte, mas acertam no essencial: querem aprender.

Ali bem ao lado, os veteranos. Esses já têm outro jeitão. Não correm mais, passeiam. Sabem qual pergunta fazer, sabem quando ouvir e quando insistir. Já não olham para o bloco o tempo todo e sim para as fontes. Claro, estão de olho no mercado, sim, mas sem pressa errada. Cuidam dos calouros como quem cuida de um broto fino: com paciência, sem sufocar, deixando crescer. Sentem-se até importantes ao ter a chance de ensinar também. E a gente deixa a mágica acontecer.

E no meio, os que estão nos anos intermediários. Esses são a ponte. Já entendem o suficiente para ensinar, mas ainda têm a humildade de quem sabe que não sabe tudo. Aprendem com os mais velhos e, no mesmo instante, viram-se para ajudar os mais novos. É bonito de ver essa corrente que ninguém combinou e que simplesmente acontece.

Hoje, cansado, depois de um dia inteiro de feira, parei uns minutos para descrever esta cena para meus leitores e leitoras porque talvez sintam um pouquinho que seja da alegria que sinto. E pensei: é por isso que a gente ensina. A gente ensina, na verdade, para ver a educação acontecer ali, bem diante dos olhos.

Sim, aqui, na Fazendinha, na correria da ExpoLondrina, nesse formigueiro de gente curiosa, barulho de animal, cheiro de pasto e texto, foto e áudio saindo a todo instante, eu vi isso o tempo inteiro.

Obrigado, pessoal! Valeu cada segundo! Até a próxima!
 

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