Caro leitores, dirijo-lhes, nesse instante, derradeiras palavras de esclarecimento. Só tenho a agradecer àqueles que me acompanham, talvez com estranhamento, nos últimos dois anos em que ocupo esse nobre espaço, do qual, obviamente, também só posso dirigir meus sinceros agradecimentos. A coluna no jornal O Imparcial é uma honra, para mim, e devo dizer que além de agradecido me sinto, sempre, lisonjeado de ocupar as páginas dessa histórica publicação prudentina.
Bem, nesse período, tenho feito experiências com as palavras e a língua portuguesa, do qual nutro grande admiração, pela riqueza, eloquência e suas infinitas possibilidades. Lapidar a forma é um objetivo primeiro, isto é, escrever com beleza, com o encadeamento correto das palavras afim de dar-lhes a forma que me parecia a mais próxima de uma dimensão esteticamente aprazível. A experiência é rica para mim, devo dizer, mas o resultado, é claro, apenas o leitor pode atestar.
Ao lado da forma, tenho explorado, no universo da crônica, estilos textuais ora mais próximos do banal e da realidade, ora distantes dela, ao se aproximar do ficcional, do absurdo e do fantástico. Sim, a crônica também se presta à ficção, na medida em que muitos textos, que poderiam ser contos, na verdade foram crônicas ficcionais, cujo objetivo, nesse caso, foi o de explorar a imaginação e suscitar a reflexão com narrativas, aparentemente, sem pé nem cabeça.
Muitas crônicas, meus amigos o sabem, veem deles, ao me contar suas histórias, narrativas vividas e imaginadas, experimentadas ou sentidas, de outras maneiras, ao ouvi-las. Os agradeço por isso. Não se pode ser criativo sozinho, é preciso da vida para que venham à tona suas experiências reais, transformadas, em muitos casos, em crônicas reais e ao mesmo tempo ficcionais. Encontrar um assunto, nessa seara, todas as semanas, uma atrás da outra, tem sido desafiador.
Talvez por isso, hoje, em que, aparentemente, não tinha nada a dizer, achei que seria boa ocasião de refletir acerca do venho fazendo, aqui, nesse espaço. A filosofia e as questões existenciais aparecem diluídas nessas crônicas, que buscam, na prática, realizar um exercício em torno dos aspectos mais insondáveis do viver. Esse talvez seja o pronto principal da minha experimentação literária. O absurdo de estar vivo, sem explicações ou respostas, diante de um universo existencial infinito, me pareceu sempre ser a questão primeira.
É nesse sentido que compreendo e aceito a crítica recebida, certa vez, de um leitor, que disse não entender nada dos meus textos. Adorei quando ouvi isso, apesar do impacto inicial. Adorei porque se meus textos soam incompreensíveis, talvez isso ocorra porque o tema maior que procuro desenvolver seja ele próprio insondável. Como poderia escrever com clareza sobre a dimensão existencial se essa, a vida, continua sendo o maior mistério de todos?
Enquanto não temos respostas, nem a filosofia, nem a religião e nem mesmo a ciência, só nos resta a tentativa de vislumbrá-la, sutilmente, pelas palavras soltas da ficção diletante, que pratico, todas as semanas.