A natureza e nós

OPINIÃO - Thiago Granja Belieiro

Data 07/03/2026
Horário 04:30

Eu gosto mesmo é de olhar para o céu, noites adentro, a imaginar mundos possíveis, para além das estrelas visíveis, sem respostas, porém, acerca do se trata essa vã existência. Ontem mesmo, em momento de contemplação, fui tomado por essas incertezas, vendo a negritude interminável do firmamento. Se pudesse, ficaria ali, todos os dias e a todo o tempo, sempre, do lado de fora, na natureza, onde me sinto em casa. Impossível não se surpreender com ela, a insondável, carente de razões. 
Interessante é o fato de que a maioria de nós busca ignorar outros planos, naturais e sobrenaturais, que nos rodeiam a todo instante. Os admiro, é verdade, nessa capacidade incrível de ignorar e seguir em frente, sem respostas e com razões duvidosas, que buscam para si e para os outros, de modo a darem para si, explicações meramente fantasiosas e incompletas. Como conseguem acreditar em deuses e religiões que pouco ou nada explicam, de fato, sobre a vida. 
Para além dessas questões, digamos, maiores, temos ainda outras, referentes ao mundinho quadrado que ora habitamos. Mais um vez, me surpreendo com respostas fáceis e ignóbeis, a respeito das formas assumidas pelo mundo político, econômico e social. Para tais questões não estão ausentes as mais diferentes respostas, de matizes vários, ainda assim, mesmo essas, seguem ignoradas. Afinal, o mundo é assim mesmo e pronto. Não, não é. Tornou-se, fez assim pelas mãos humanas e mundanas. 
Apesar disso, não diria que tenho respostas, ao menos no que diz respeito às questões maiores, vindouras. Contudo, mesmo se as tivesse (duvido que alguém as tenha) eu seria ignorado. Vive-se, é fato, e é só. É, é possível que assim o seja. Vivemos e morremos. Mas o universo estará sempre lá, como livro aberto, a ser contemplado. A única resposta disponível, a todos, já está dada diante de nossos olhos. Existimos. O período é curto, eu sei, mas já é uma certeza. 
Os gatos me acompanham, quase sempre, nesses momentos. Tenho por mim que desses mistérios talvez eles saibam muito mais do que nós, vejo em seus olhos. Mas tampouco se preocupam, convictos, eu sei, de que são questões que não valem a pena. A soneca urge e o estomago idem, assim são muitos de nós. Ao contrário de nós, eles são felizes. Nem todos, é claro. Gostam de afagos e pequenos prazeres, sensíveis e naturais. 
Pois bem, eu vou lá fora, a ver o céu, límpido e azul, cor do bem. Me sinto em casa, na natureza, essa, de onde podemos encontrar respostas fáceis acerca da racionalidade do mundo. Pisar na grama, sentir a terra entre os dedos do pé, a água escorrendo entre os dedos da mão, um suspiro, um enxague e apenas um momento de lazer, nela, a natureza. Lembram dela, caros senhores? Dela, a natureza, nossa casa? 
Também não saberia o que dizer, habitamos ambientes herméticos e desconectados do mundo real. Nos perdemos, é preciso dizer, nesses caminhos tortuosos que inventamos para nós mesmos, de modo que nos distraímos, enfadados, nessa insondável existência. Pelo menos por aqui estamos seguros, ao menos por um instante. 

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