A investigação da primeira morte por suspeita de dengue no Estado de São Paulo em 2026, registrada no município de Nova Guataporanga, deve servir como um alerta inequívoco para autoridades e população. Trata-se de um homem de 53 anos, cujo óbito está sob análise da Secretaria Estadual da Saúde. Ainda que o caso aguarde confirmação, a simples suspeita já impõe urgência máxima às ações de prevenção e controle.
Nova Guataporanga, vinculada ao Departamento Regional de Saúde de Presidente Prudente, contabiliza dois casos confirmados da doença neste início de ano, segundo o painel estadual de arboviroses, atualizado no último sábado. O dado, à primeira vista modesto, ganha relevância quando comparado ao mesmo período de 2025, quando havia apenas um caso em investigação. A progressão, ainda que discreta, sinaliza que o vírus voltou a circular com força suficiente para produzir desfechos graves.
A dengue é uma doença conhecida, estudada e, sobretudo, prevenível. Ainda assim, segue desafiando o poder público ano após ano, sustentada por um velho inimigo: o mosquito Aedes aegypti, vetor também da zika e da chikungunya. As primeiras ações de combate realizadas no município nos dias 5 e 6 de janeiro são importantes, mas não podem ser episódicas nem restritas a operações pontuais. O enfrentamento precisa ser contínuo, estratégico e integrado.
Nesse contexto, é positiva a postura da Secretaria Municipal da Saúde ao utilizar redes sociais para alertar a população sobre a circulação do vírus. Informação é uma ferramenta essencial no combate à dengue. Contudo, alertar não basta. É necessário garantir estrutura, equipes de campo permanentes, vigilância ativa e resposta rápida diante de qualquer novo caso suspeito.
A população também tem papel decisivo. Eliminar criadouros, permitir a entrada de agentes de saúde e adotar cuidados básicos não são gestos de colaboração facultativa, mas deveres coletivos. A negligência individual pode custar vidas.
A possível primeira morte por dengue em 2026 no Estado não pode ser tratada como estatística isolada nem como fatalidade. É um sinal claro de que o risco é real e imediato. Cabe às autoridades intensificar as ações e à sociedade compreender que o combate ao mosquito é uma responsabilidade compartilhada. Ignorar os alertas agora é abrir caminho para que novos casos graves — e evitáveis — se repitam.