Amoxicilina é um antibiótico comum receitado por pediatras, porém, é um dos medicamentos que mais interferem na microbiota intestinal. A afirmação é de Fernando de Sá Del Fiol, que pesquisa a antibioticoterapia há 25 anos. A descoberta vem gerando tanta discussão que se tornou tema de abertura do 9º Farmoeste e 24ª Jornada Farmacêutica promovidos pelo curso de Farmácia da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), no fim de outubro, no Teatro Universitário Cesar Cava, em Presidente Prudente. De acordo com o pediatra Carlos Frederico Prata Pereira, isso se justifica porque os antibióticos em geral alteram a flora intestinal e, com isso, matam bactérias boas e ruins do organismo.
É aí que habita o problema. Conforme o médico, as bactérias boas são as responsáveis por ajudar o intestino a controlar e balancear o peso de uma pessoa. “Se essas bactérias morrem, o intestino perde o controle e a pessoa acaba acumulando peso e, futuramente, gerando a obesidade”, explica Carlos. Isso, segundo explica, pode se potencializar na adolescência – de 14 a 17 anos – que, somados à má alimentação, resulta em acúmulo de gordura. “É a fase que mais cometemos erros alimentares. Portanto, já é, por si só, uma fase muito propensa para a doença”, expõe.
Entre os perigos da obesidade, principalmente nessa faixa de idade, o pediatra destaca problemas renais e psicológicos. “A obesidade afeta não apenas a saúde física, mas também a mental, causa baixa autoestima, e também pode se potencializar por meio de crises de ansiedade, por exemplo”, frisa. Além disso, o médico alerta para o possível desenvolvimento de hipertensão arterial e alteração na circulação sanguínea.
Há três anos, Marlene Santos, 45 anos, luta contra o sobrepeso do filho, Pedro Manoel Santos de 10 anos. De acordo com ela, atualmente o pequeno pesa 70 quilos, quando o ideal é 60, por isso, segue constantemente uma dieta com acompanhamento nutricional e pediátrico. “O médico disse que ele tem a altura de uma criança de 13 anos e isso potencializa o sobrepeso, mas, no geral, acredito que seja resultado de má alimentação”, explica. Sobre a relação da obesidade com antibióticos, a mãe se surpreende e diz que não sabia da possibilidade. Porém, não vê o remédio como um dos culpados no caso do filho.
“Tentamos muitas coisas, aulas de futebol, natação e agora ele se encontrou nas artes marciais, faz seis meses que está praticando três vezes por semana e já estamos colhendo os resultados, principalmente na qualidade de vida”, frisa Marlene. Na alimentação, a mãe explica que refrigerantes, frituras e doces foram substituídos por sucos, saladas e frutas. “Não é tão difícil, porque até os 8 anos [por ter intolerância a lactose], ele era acostumado com esse cardápio, foi após essa idade que a alimentação ficou ruim”, expõe.
Já Anália Regina Ferro Furtado, 40 anos, enfrenta junto com o filho, Diego Assis, 8 anos, a reeducação alimentar. De acordo com ela, de nada adianta educar o pequeno e não servir de exemplo. “Em casa eu e meu marido estamos buscando sempre optar pelos alimentos mais saudáveis para que ele crie o hábito”, pontua. Atualmente, a criança pesa 43 quilos quando o ideal é 30, por isso, Anália evita sair da dieta. “É um cuidado que sei que ele vai nos agradecer depois”, ressalta.
Cuidados necessários
De acordo com o pediatra, a criança que possui uma infância ou adolescência com sobrepeso/obesidade tem muito mais chance de manter a doença na fase adulta. Em razão disso, ele ressalta a importância de cuidar da alimentação desde os primeiros meses de vida. “Parece que não, mas grande parte dos jovens tem hábitos alimentares ruins porque lá atrás, aos seis meses de idade, foi feito o desmame do leite materno de forma errada”, expõe. A maneira correta, de acordo com ele, é seguir dietas à base de frutas até que a criança esteja apta a comer outros alimentos.
No caso de crianças mais velhas e jovens, Carlos frisa a importância de mesclar alimentos saudáveis com atividades físicas. “Um complementa o outro, e tudo vai depender também da organização familiar. A criança segue o exemplo dos pais, é preciso conscientização”, relata.
DICAS
- Evitar frituras e alimentos com muito açúcar;
- Optar por saladas e frutas ou alimentos integrais;
- Praticar atividade física, no caso de crianças, brincadeiras que envolvam agilidade.