Autogestão da saúde

Jair Rodrigues Garcia Júnior

A manutenção da saúde depende de uma série de fatores, tais como hábitos de higiene, alimentação adequada, qualidade do sono, controle do peso corporal, prática de exercícios etc. Para manter seu estado de saúde, em alguns casos, depende da orientação e acompanhamento de profissionais de saúde, como nutricionista e professor de educação física (personal trainer), por exemplo. Porém, você é o principal responsável pela gestão de sua saúde.

TERCEIRIZAÇÃO
Há uma cultura entre nós de terceirizar a responsabilidade, inclusive sobre própria saúde. A responsabilidade pela minha alimentação é da nutricionista, pela postura é do fisioterapeuta, pela minha glicose e colesterol sanguíneo é do médico, e assim por diante. Esses e outros profissionais avaliam, prescrevem e orientam, porém ocorre uma falha no elo fraco da relação, o paciente, que nem sempre se compromete em fazer sua parte em casa, onde não é observado.

AUTOGESTÃO DA SAÚDE
Cuidar da própria saúde inclui atitudes individuais, com ou sem auxílio dos profissionais da saúde, em quatro níveis de prevenção de doenças: [1] Primária – higiene pessoal, dieta adequada, sono de qualidade, comportamento ativo, prática de exercícios, não ser tabagista ou etilista, controle do estresse e outros. [2] Secundária – realizar consultas e exames regulares com médicos, no mínimo anualmente nas especialidades de cardiologia, ginecologia (mulheres) e urologia (homens). Também dentista, semestralmente para avaliação e profilaxia. A partir dos 40 anos, consultas com oftalmologista, gastroenterologista e dermatologista devem ser também regulares. Outras especialidades de acordo com sinais, sintomas e indicações específicas.

AUTOGESTÃO DA SAÚDE 2
Dois outros níveis de prevenção: [3] Terciária – aplicada às pessoas que já sofrem de alguma doença, que devem seguir estritamente o tratamento, as orientações dos profissionais de saúde para que a doença não progrida e se agrave. [4] Quaternária – é bem pouco conhecida e se refere ao cuidado para não utilizar medicamentos ou procedimentos que não sejam estritamente necessários prescritos por um médico, após avaliação. Uso de esteroides anabolizantes sem indicação com base científica e clínica se enquadra como erro grave. Uso de Mounjaro e congêneres por quem não é obeso e/ou sofre de comorbidades também se enquadra em erro.

NÍVEL DE PROTEÇÃO
Quando a pessoa se comprometida com autogestão da saúde ela observa e aplica os quatro níveis de prevenção, focando no primeiro nível de prevenção, que pode ser o mais robusto deles, pelo menos nas primeira quatro ou cinco décadas de vida: básico da higiene, dieta de acordo com as necessidades, sono de qualidade, estilo de vida ativo com movimentos rotineiros e exercícios de força e aeróbicos, não ter vícios, evitar o álcool ou ser bastante moderado e controlar o estresse, são comportamentos que estão totalmente ao alcance de cada um.  

ORIENTAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO
O trabalho/empresa é onde a pessoa passa o maior tempo do dia (8h, em média), por isso se torna o local ideal para receber informações, orientações, lembretes e incentivos para ajustar e manter comportamentos compatíveis com a autogestão da saúde, principalmente a prevenção primária. A saúde corporativa é um aspecto da empresa que tem ganhado cada vez mais relevância entre os gestores de recursos humanos, pois transcende os benefícios individuais para os colaboradores, tendo também importância significativa na organização, produtividade e “saúde financeira” da empresa. 

A empresa é onde a pessoa passa o maior tempo do dia, por isso é o local ideal para receber informações e incentivos para a autogestão da saúde.

Referências

Carvalho AFS, Dias EC. Promoção da saúde no local de trabalho: revisão sistemática da literatura. Revista Brasileira em Promoção da Saúde. 2012; 25(1): 116-126. https://doi.org/10.5020/2219 

Oliveira DAZ, Silva Leite GA. Bem-estar laboral: estratégias e práticas para a promoção da saúde nas organizações brasileiras. Revista FIBinova. 2024; 4(4): 1-12. https://doi.org/10.59237/fibinova.v4i4.753 

Ferreira IO, Matos SS. Promoção de saúde no trabalho: uma estratégia de educação para a saúde. Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro. 2013; 3(2): 732-745. https://doi.org/10.19175/recom.v0i0.364 


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16 abr 26


 

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