Em tempos em que o greening avança sobre os principais polos citrícolas do Brasil e do mundo, a classificação de toda a região de Presidente Prudente como área de baixa incidência da doença representa uma excelente notícia para a agricultura regional. Mais do que um dado estatístico divulgado pelo Governo do Estado, trata-se do reconhecimento de um trabalho sério desenvolvido pelos produtores, pelos profissionais da assistência técnica e pela Defesa Agropecuária.
A Portaria nº 46/2026, ao regulamentar critérios objetivos para classificar os municípios paulistas conforme a incidência da doença, fortalece uma política pública baseada em informações técnicas, monitoramento permanente e responsabilidade compartilhada. É uma medida que merece reconhecimento, pois permite direcionar ações de prevenção e controle onde elas são realmente necessárias.
Para os citricultores do oeste paulista, estar entre as regiões de baixa incidência significa preservar um patrimônio que não pode ser subestimado. Em uma atividade que exige elevados investimentos e planejamento de longo prazo, manter os pomares protegidos é garantir produtividade, competitividade e segurança econômica.
Mas a boa notícia não pode ser confundida com tranquilidade absoluta. O greening continua sendo uma ameaça permanente. Basta um relaxamento na inspeção dos pomares, no controle do psilídeo ou na eliminação de plantas contaminadas para que o cenário mude rapidamente. A própria decisão do Estado de revisar essa classificação anualmente demonstra que a vigilância precisa ser constante.
A nova regulamentação também reforça uma mensagem importante: sanidade vegetal não é responsabilidade exclusiva do poder público. Cada produtor que monitora seu pomar, elimina focos da doença e utiliza mudas certificadas contribui para proteger toda a cadeia produtiva. O descuido de poucos pode comprometer o esforço coletivo de muitos.
A região de Presidente Prudente conquistou uma posição privilegiada. Agora, o maior desafio é mantê-la. A classificação de baixa incidência deve servir como estímulo para fortalecer ainda mais a conscientização, a cooperação entre produtores e a adoção rigorosa das boas práticas fitossanitárias.
Na agricultura, assim como na saúde, prevenir sempre custa menos do que remediar. E quando se trata do greening, essa talvez seja a lição mais importante que a nova classificação traz para toda a citricultura paulista.