Carateca de Álvares Machado troca os tatames pela Medicina

Jovem lembra que começou a praticar a modalidade aos 6 anos, mas após a morte do técnico Renato Franco, não conseguiu seguir carreira no esporte: “não me adaptei”

Esportes - OSLAINE SILVA

Data 23/07/2020
Horário 07:45
Cedida - Gustavo teve grandes conquistas com a seleção brasileira Foto: Cedida - Gustavo teve grandes conquistas com a seleção brasileira

Após dez anos marcados por muitas conquistas representando a seleção brasileira, por meio das artes marciais, o carateca de Álvares Machado, Gustavo Furuuti, 18 anos, está trocando o esporte pelos estudos. Na semana passada, o jovem anunciou que passou no vestibular de Medicina no campus da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista) de Jaú(SP).   
“Na verdade eu parei em 2019. Cheguei a prestar o vestibular para o curso, mas não iniciei os estudos porque ainda estava balançado pelo caratê e havia conquistado a bolsa atleta. Mas, com a morte do Renato Franco [meu técnico], eu até tentei seguir carreira, mas não me adaptei sem ele, que entrou na minha vida para completar meu sonho como atleta”, conta o jovem, que começou a praticar a modalidade bem cedo com apenas 6 anos de idade, com o professor Paulo Villalva Martins, em sua cidade. 
Com o passar do tempo, ele buscou em Presidente Prudente, novos desafios e, representando o município de Piracicaba (SP), Gustavo começou a treinar com o saudoso Renato Franco, que faleceu no dia 30 de outubro de 2014, em um acidente automobilístico.

“COM A MORTE DO RENATO FRANCO [MEU TÉCNICO], EU ATÉ TENTEI SEGUIR CARREIRA, MAS NÃO ME ADAPTEI SEM ELE, QUE ENTROU NA MINHA VIDA PARA COMPLETAR MEU SONHO COMO ATLETA”
Gustavo Furuuti

Dentre as tantas conquistas, Gustavo destaca o título no Mundial Escolar, em 2018, no Marrocos; o bicampeonato Pan-Americano; foi campeão Sul-Americano; tetracampeão brasileiro; campeão da Copa do Brasil; e medalha de bronze no Open de Las Vegas, nos Estados Unidos.

Gratidão ao mestre Renato

Para o aluno, falar do seu mestre Renato o deixa muito emocionado, até porque infelizmente ele se foi precocemente. Gustavo diz que existem excelentes técnicos no caratê na região, mas ele considera que Renato foi uma pessoa rara nos dias atuais. “Ele dava a vida para ver o sonho dos seus atletas se realizar. Não foi por dinheiro que ele  resolveu me treinar e cuidar da minha carreira, foi porque ele acreditava  em mim, no meu sonho. Você não precisa ser muito, basta você acreditar no seu sonho, mais do que isso, ele era um sonhador, que conseguiu ajudar muita gente enquanto esteve aqui!”, exclama Gustavo.

Família para ele é motivo de orgulho

Um jovem consciente, Gustavo diz não poder reclamar de nada nessa vida. Ele que é sobrinho do árbitro de futebol da FPF (Federação Paulista de Futebol) e coordenador de Esportes do município, Clayton Dutra, fala com alegria do carinho que recebe dos pais Lieda e Horácio Cesar Fernandez (ex-prefeito de Álvares Machado).
“Enquanto muitas pessoas passam por necessidades essenciais nesse planeta, tenho estrutura familiar, temos o que comer, beber e vestir. Meus pais sempre me deram muito amor, apoio em todos os meus projetos de vida. Os admiro muito. E tenho muito orgulho do meu tio Clayton também que é uma pessoa maravilhosa, um excelente profissional”, ressalta Gustavo, complementando que são todos exemplos de vida para ele e que tem certeza de que estarão o apoiando ainda mais a partir de agora nesse novo momento de sua vida.
Sobre fazer o curso de Medicina, Gustavo diz ser uma nova fase em sua vida. “Deus entra com a providência e coloca as coisas na minha vida. Nada funciona por obrigação, nem por dinheiro, por status, quero me tornar médico para poder ajudar o próximo. Poder ser referência pra alguém que precisa de verdade de mim”, salienta. (Colaboração Marcos Chicalé)

Foto: Cedida

Agora ele comemora com a mãe e demais familiares a nova fase de sua vida

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