Casos de sífilis em adultos aumentam 27,9%

Especialistas afirmam que o atual cenário apontado se deve ao aumento das relações sexuais desprotegidas e precoces

PRUDENTE - ANNE ABE

Data 05/11/2017
Horário 04:09

Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde apontou que houve um aumento de 27,9% na quantidade de casos de sífilis no Brasil, diagnosticados em adultos, no último ano. O número resulta em uma situação de epidemia, considerada preocupante pelos especialistas. Outros fatores que atraem a atenção é o crescimento de 14,9% para os casos da doença em gestantes, e de 4,7% para sífilis congênita, em que a doença é transmitida ao bebê durante a na gravidez ou no parto.

Especialistas afirmam que o atual cenário apontado se deve ao aumento das relações sexuais desprotegidas e precoces, bem como a melhoria no diagnóstico e da oferta dos exames. Para o ginecologista e obstetra Alvaro Anzai, a nova geração de adolescentes e adultos possui menor restrição, se comparado com as décadas anteriores, quando também havia poucos recursos de tratamento. “A diminuição das campanhas de prevenção, também é um fator que gerou o aumento, pela resistência das gestantes, com medo dos efeitos colaterais, ou porque iniciam o pré-natal tardiamente”, expõe.

Para reverter a situação de epidemia, o profissional aponta ser necessário a conscientização da população para relações sexuais com preservativos, um trabalho de “campanhas de prevenção, diagnósticos e tratamentos mais rápidos, amplos e efetivos”.

 

A doença

O profissional explica que a sífilis é uma DST (Doença Sexualmente Transmissível) causada por uma bactéria, denominada de Treponema pallidum. Acrescenta que pode ser transmitida, principalmente, pelas relações sexuais, seja vaginal, anal ou oral; por transmissão vertical ou congênita, que ocorre durante a gravidez ou parto; e, em menor proporção, por contato com produtos derivados do sangue.

A partir disso, afirma existir maior incidência em gestantes, lactantes, profissionais do sexo, homossexuais e bissexuais. “O perigo são manifestações neurológicas, cardíacas e oculares, com graves sequelas, seja nos bebês ou no adulto, além de trazer dificuldade futura de engravidar, e da propagação descontrolada da epidemia”, pontua.

 

Sintomas e tratamento

Alvaro Anzai aponta ainda que os sinais e sintomas apresentam-se em diferentes estágios: primário, caracterizado por uma ferida indolor no local de infecção, como boca, reto ou órgãos genitais, que geralmente se apresenta de 3 a 90 dias do contagio; secundário, quando aparece uma erupção cutânea corporal difusa, principalmente nas palmas das mãos e dos pés, boca e vagina, e geralmente ocorre de 4 a 10 semanas da infecção inicial; latente, que não apresenta sintomas e pode durar vários anos; e terciário, podendo aparecer nodulações ou gomas, além de sintomas neurológicos, cardíacos e oculares.

A primeira opção de tratamento é por meio da Penicilina Benzatina, mesmo na gravidez. Ou então, quando o paciente for alérgico, podem ser utilizadas a doxiciclina ou tetraciclinas e na gestação, pode ser usada a Ceftriaxona. “Esses medicamentos agem por via sanguínea matando diretamente a bactéria, por isso, não prejudicam o bebê”, finaliza.

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