Conflitos sonoros: 21,4% dos acionamentos da Polícia Militar são por perturbação do sossego

Abusos em residências, chácaras de locação e veículos foram debatidos em audiência pública em Prudente, tendo em vista impacto direto no trabalho das forças policiais

PRUDENTE - MELLINA DOMINATO

Data 18/06/2026
Horário 10:05
Foto: CPI-8
Diante de números alarmantes, assunto foi tema da audiência nesta semana, em Prudente
Diante de números alarmantes, assunto foi tema da audiência nesta semana, em Prudente

Medidas que visam mitigar abusos sonoros em residências, chácaras de locação e veículos foram debatidas em Presidente Prudente, em audiência pública realizada na Câmara Municipal, na noite de terça-feira. O tema foi levado à discussão entre autoridades, Polícia Militar, demais instituições e comunidade, tendo em vista o aumento gradativo das ocorrências de perturbação do sossego no município.

Levantamento da Polícia Militar demonstra que, entre 2021 e 2025, 207.938 atendimentos foram prestados na capital do oeste paulista. Deste total, 21,4%, ou seja, 44.622 acionamentos foram exclusivos de perturbação do sossego. 

“Isso significa que mais de um quinto de toda a capacidade logística, humana e de viaturas na cidade é absorvida por este tipo de chamado. Esse volume impacta diretamente a otimização do policiamento ostensivo e preventivo, deslocando equipes de emergência para o atendimento de conflitos sonoros”, frisa a corporação.

A análise histórica divulgada pela PM demonstra “um comportamento recorrente e de caráter estrutural”. “Enquanto o total geral de ocorrências criminais diversas apresentou uma leve tendência de queda nos últimos anos, a perturbação do sossego manteve-se em alta constante: representava 19,61% das chamadas em 2023, 20,43% em 2024, e subiu para 21,56% em 2025”, ressalta. 

“A amostragem fechada em fevereiro de 2026 [22,57%] confirma que o problema se estabilizou em patamares elevados, provando não ser um evento meramente sazonal ou episódico”, prossegue a instituição.

Comportamento temporal previsível 

Diante dos números alarmantes, o assunto foi tema da audiência, proposta pelo vereador Mauro Neves (PP). O objetivo, conforme a Casa de Leis, foi discutir os principais desafios enfrentados devido à perturbação do sossego, prática que, além de causar impacto direto no trabalho das forças policiais, pode provocar estresse, irritação, insônia, ansiedade, conflitos entre moradores e redução da qualidade de vida.

“Durante o ato, autoridades esclareceram que a proposta não visa restringir atividades musicais ao vivo ou o comércio legalizado. O foco central é mitigar abusos sonoros em residências, chácaras de locação e veículos. A iniciativa prioriza a saúde pública e o direito ao descanso da população prudentina, permitindo a otimização dos recursos operacionais e o aumento da eficiência dos serviços da Polícia Militar”, explica a corporação.

Ainda conforme a PM, a principal causa das chamadas decorre do som alto em residências e festas particulares localizadas em áreas urbanas. Em escala secundária, estão as emissões sonoras excessivas provenientes de estabelecimentos comerciais (bares e casas de eventos) e a concentração de som automotivo/aglomerações em vias públicas. 

“O fenômeno possui comportamento temporal previsível e diretamente associado aos períodos de lazer. Os finais de semana concentram cerca de 65% dos atendimentos [sexta-feira a domingo]. O sábado é o dia isolado de maior pico, respondendo sozinho por 30% das queixas”, expõe a instituição.

O período da madrugada (22h às 06h) concentra 51% das ocorrências, com o pico de maior criticidade e acúmulo de chamadas registrado entre as 22h e 2h, e as queixas ocorrem de forma pulverizada e espalhada por toda a extensão do perímetro urbano. 

Denuncie

“Como orientação, a Polícia Militar reforça que a denúncia deve ser registrada no momento exato do fato através do telefone de emergência 190 ou pelo aplicativo 190 SP, fornecendo o endereço preciso do local da infração. É orientado, ainda, o registro do Boletim de Ocorrência e que o morador anote os dias e horários em que a perturbação ocorre de forma repetitiva”, recomenda a corporação. “Esse histórico qualifica as denúncias e ajuda a Polícia Militar a planejar operações preventivas direcionadas aos pontos reincidentes”, finaliza o CPI-8.
 

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