Na semana passada, falamos sobre o crescimento da apneia do sono ao longo dos anos. Hoje, é hora de falar sobre o tratamento e, principalmente, sobre como ele precisa ser conduzido ao longo do tempo para realmente funcionar. A apneia do sono é uma doença crônica. Isso significa que não pode ser tratada de forma pontual ou transversal, como se uma única intervenção resolvesse o problema. O tratamento precisa ser longitudinal, com acompanhamento contínuo, ajustes e reavaliações periódicas.
Para pessoas com apneia do sono moderada ou grave, o tratamento de primeira linha é o CPAP (Continuous Positive Airway Pressure – pressão positiva contínua nas vias aéreas). O aparelho mantém as vias respiratórias abertas durante o sono por meio de um fluxo constante de ar, impedindo que a garganta colapse e bloqueie a passagem de oxigênio. Quando bem utilizado, o CPAP melhora a qualidade de sono, reduz o ronco, diminui o risco cardiovascular, melhora a memória, o humor e a disposição ao longo do dia. Mas o grande desafio não é iniciar o tratamento, é mantê-lo.
Estudos mostram que muitos pacientes abandonam o CPAP ao longo do primeiro ano, principalmente quando não recebem acompanhamento adequado. Desconforto com a máscara, vazamentos, sintomas nasais, sensação de claustrofobia e falta de orientação estão entre os principais motivos de desistência.
Por isso, tratar a apneia do sono exige mais do que prescrever um aparelho. Exige adaptação, escuta ativa, ajustes personalizados e apoio contínuo. A escolha correta da máscara, o controle dos sintomas nasais, o ajuste de pressão e o acompanhamento próximo fazem toda a diferença.
Quando o tratamento é conduzido de forma longitudinal, os benefícios vão muito além do sono. O paciente dorme melhor, acorda com mais energia, melhora sua concentração, seu humor, sua produtividade e reduz riscos importantes para a saúde.
Tratar a apneia do sono é cuidar do presente e proteger o futuro. É devolver ao corpo a chance de descansar, ao cérebro a chance de se recuperar e à pessoa a chance de viver com mais energia. O CPAP não é o fim do caminho, é o começo de um cuidado contínuo. Quando esse cuidado é mantido, a qualidade de vida deixa de ser promessa e passa a ser realidade.